O presidente da Shell Brasil, Cristiano Pinto da Costa, disse que ainda é cedo para dimensionar os impactos da guerra no Irã, mas que a percepção de maior instabilidade no Oriente Médio pode redirecionar investimentos para a exploração de petróleo no Brasil.
“É plausível se esperar que a decisão de alocação de capital global de grandes companhias de petróleo redirecione fluxos de uma região para outra”, disse ele, em café da manhã com jornalistas no Rio de Janeiro.
“O Brasil tem histórico de não ter problemas geopolíticos de grande magnitude, é um produtor confiável, tem produção com menor intensidade de carbono no pré-sal. Se mantiver estabilidade regulatória, competitividade fiscal e celeridade no licenciamento ambiental, tem chance de atrair mais investimentos”, completou.
O encontro com a imprensa havia sido agendado antes dos primeiros ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã. Aos jornalistas o presidente da Shell disse que a prioridade da companhia neste momento é garantir segurança a funcionários e ativos na região.
Na sua opinião, ainda é prematuro prever impactos sobre o setor e sobre a economia global, apesar da escalada das cotações internacionais do petróleo nos primeiros dias após o conflito. A magnitude dos impactos, afirmou, dependerá da duração do evento.
“A expectativa é de preço de petróleo um pouco mais alto nos próximas semanas. O fechamento do Estreito de Hormuz afeta a indústria como um todo. Todo grande operador, comercializador tem produtos em navios passando pela região.”
O Brasil não depende da rota em seu comércio exterior de petróleo e combustíveis. A maior parte das exportações de óleo da Petrobras e da própria Shell vão para a China. Pinto da Costa diz que o aumento no custo do frete pode ser um impacto de curto prazo.
“Estamos um pouco fora da rota do conflito, porém podemos ter impactos de segunda ou terceira ordens, como, por exemplo, o frete pode ter um impacto na comercialização do petróleo brasileiro”, afirmou.














