A filha do gari Laudemir de Souza Fernandes acionou a Justiça de Minas Gerais contra o empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, assassino confesso de seu pai, para pedir o pagamento de indenização e de pensão mensal. Na mesma ação, a adolescente de 15 anos também processou a delegada Ana Paula Lamego Balbino, esposa de Renê e dona da arma que ele usou para matar Laudemir.
Adolescente pediu indenização por danos morais pelo assassinato do pai. Ela também pediu indenização para custear danos psicológicos por um período mínimo de dois anos em razão “do contexto de violência brutal” que seu pai sofreu. A ação foi protocolada na 3º Vara Cível da Comarca de Contagem pelo advogado Felipe Saliba.
Filha do gari também pediu o pagamento de pensão vitalícia no valor mínimo de R$ 7.500. De acordo com a ação, o valor é referente a 10% da renda líquida mensal de Renê e Ana Paula.
Saliba solicitou à Justiça o bloqueio dos bens do casal. O Ministério Público de Minas Gerais já havia pedido o bloqueio de R$ 3 milhões em bens de Renê e Ana Paula, mas a juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza negou. O bloqueio foi considerado prematuro, “sem que haja sequer a formação da relação processual, tampouco a apresentação do relatório de investigação pela autoridade policial”.
Na ação, advogado justifica que Laudemir foi vítima de “uma atitude covarde” de Renê. O advogado diz que o empresário atirou sem razão enquanto a vítima trabalhava, o que se “configura uma violação direta ao direito à vida”.
Ana Paula é alvo da ação por ser a dona da arma usada no crime. De acordo com o advogado, ela tem responsabilidade por ter deixado a pistola ao alcance do marido. Atualmente, ela está afastada do cargo de delegada por questões de saúde, mas não é investigada por participação no crime.
Relembre o caso
Renê confessou que matou Laudemir após discussão de trânsito. O gari estava em horário de trabalho quando Renê passou pela rua onde ele e outros garis faziam a coleta do lixo.
Empresário discutiu com a motorista do caminhão de lixo. Laudemir e outros garis saíram em defesa colega.
Renê pegou a arma e atingiu a vítima na região torácica. O coletor foi socorrido e encaminhado ao Hospital Santa Rita, em Contagem, mas morreu.
Criminoso fugiu do local do crime e foi preso enquanto treinava em uma academia de alto padrão. A prisão ocorreu horas depois do assassinato, no bairro Estoril, área nobre da capital mineira.
Acusado alegou que pegou a arma da esposa para garantir a própria segurança no caminho até o trabalho. Ele trabalhava há 15 dias em uma empresa em Betim. No depoimento em que confessou o crime, disse que pegou a pistola calibre .380 da mulher, a delegada Ana Paula Lamego Balbino, sem que ela percebesse.
A Corregedoria da Polícia Civil apura se houve omissão por parte da delegada. Ela está afastada do trabalho por tratamento de saúde.
Empresário afirmou que aquela foi a primeira vez que pegou a arma. No depoimento, ele diz que pegou a pistola por se dirigir a local perigoso, não saber o caminho e ser natural de outro estado (Rio de Janeiro).
Ele disse também que a arma seria usada para proteção pessoal, porque estava muito tenso. Renê ressaltou que não percebeu que havia acertado o tiro em Laudemir e afirmou estar arrependido “por ter jogado fora a vida da vítima, dele [mesmo], atrapalhado a vida da esposa, do filho [que ele tem com outra mulher] e da família da vítima”.
O deputado estadual Comandante Dan (Podemos) percorrerá a partir de sexta (29/8), até a amanhã (1º/9), onze municípios do interior amazonense, passando pela calha...