A sexta-feira terminou com uma conversa sobre trânsito, obra, bares, restaurantes, moradores e o futuro de uma das ruas que mais movimentam a vida noturna do centro de Manaus em 2026. Na Ferreira Pena, empreendedores, técnicos e representantes do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) e do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU), da Prefeitura de Manaus, se reuniram para alinhar os últimos detalhes da obra, que iniciará na segunda-feira, 24/8, e vai transformar o trecho em um novo espaço de convivência, gastronomia e circulação de pedestres.
A intervenção vai exigir mudanças temporárias no trânsito. O acesso pela rua 10 de Julho até a Eduardo Ribeiro será alterado e a conversão para a Ferreira Pena ficará interrompida durante a execução dos serviços. O IMMU também vai orientar motoristas sobre os desvios.
Antes das máquinas e trabalhadores ocuparem a via com a empreitada, a prefeitura reuniu na mesma mesa quem será diretamente impactado pela obra. Para o diretor-presidente do Implurb, Antonio Peixoto, esse diálogo faz parte da maneira de conduzir a transformação do Centro. “Dessa maneira, a gente cumpre uma determinação do prefeito Renato Junior, que é estar mais próximo das pessoas, ouvir, dialogar, para que a gente, juntos, possa trazer melhorias para a população, para que não tenha apenas uma determinação ou uma decisão unilateral da prefeitura”, afirmou.
Peixoto acompanhou a reunião ao lado das equipes técnicas e dos empreendedores. No fim da tarde, resumiu o espírito do encontro de uma maneira bem menos burocrática. “A gente precisa manter o diálogo para que a gente possa construir soluções, porque aqui no Implurb, no IMMU, na Prefeitura de Manaus, tem gente que trabalha”, disse.
Impacto agora, transformação depois
A Ferreira Pena será transformada em uma plataforma única, com prioridade para a circulação de pessoas. A intervenção alcançará aproximadamente 190,71 metros da via, em uma área de 3.841,29 metros quadrados.
O asfalto será substituído por blocos de concreto intertravados, enquanto os passeios receberão pedra quartzito natural. A proposta também inclui bancos, lixeiras, floreiras, balizadores, nova iluminação pública, luminárias voltadas aos passeios e iluminação decorativa aérea em LED.
Para quem trabalha diariamente no local, a mudança representa uma aposta no potencial que a rua já possui.
“Nossas expectativas são as melhores. A gente acredita que não existe transformação sem impacto, realmente. Então, a gente acredita que os impactos vão ser em prol de algo muito maior, muito melhor, que vai requalificar a via e uma área cultural, de economia e vibrante do Centro”, afirmou a empresária Laura Abreu, que também mora no entorno do Centro.

Ela destaca a importância de levar mais organização e estrutura para uma área que já possui forte vocação gastronômica. “Acho que o ordenamento público é necessário, principalmente quando se fala de Centro. E que bom que esse polo gastronômico foi visto e só recebeu o reconhecimento vindo com essa primeira Rua Gastronômica”.
O vice-presidente do Implurb, arquiteto e urbanista Pedro Paulo Cordeiro, explica que justamente por conhecer os impactos de uma obra desse porte a equipe buscou antecipar dúvidas e alinhar procedimentos com os estabelecimentos. “Logicamente, nós sabemos que pela obra serão as mais impactadas diretamente, mas esses impactos serão temporários no decorrer da obra. Após a inauguração, terão aí uma rua gastronômica totalmente diferente, totalmente remodelada”, afirmou.
Um dos pontos esclarecidos durante a reunião foi o funcionamento dos bares e restaurantes. A orientação é que os estabelecimentos continuem abertos durante a execução dos serviços. Interrupções pontuais podem ocorrer em etapas específicas, principalmente para intervenções em instalações elétricas ou no esgotamento sanitário. “Os bares não irão necessitar fechar. Lógico, talvez um dia ou outro, devido à questão de instalações elétricas, de esgotamento sanitário, poderão fechar suas portas, mas durante a obra eles poderão continuar funcionando”, explicou Cordeiro.
Uma rua para caminhar, ficar e voltar
A transformação proposta para a Ferreira Pena vai além da troca de pavimento. A ideia é mudar a relação das pessoas com o espaço.
Com a plataforma única, a separação entre pista e passeio será eliminada, ampliando a acessibilidade e criando condições para uma circulação mais confortável. A nova configuração também deve contribuir para reduzir a velocidade dos veículos e aumentar a segurança de quem caminha.
É nesse ponto que a gerente da Divisão de Planejamento Urbano (Dipu), arquiteta e urbanista Rejane Gaston vê uma das principais mudanças provocadas pelo projeto: devolver a rua às pessoas. “O real sentido é a permeabilidade das pessoas. Porque aqui você vai poder transitar, estar na segurança, e a economia vai estar girando. Isso aqui vai ganhar vida, não só de noite”, afirmou.
A Ferreira Pena já é conhecida pela movimentação noturna, especialmente pela presença de bares e restaurantes. A proposta é ampliar essa dinâmica para outros horários e criar condições para que moradores, trabalhadores, turistas e visitantes também ocupem o espaço durante o dia. “Vamos revitalizar, vamos colocar equipamentos e dar à população este pertencimento de volta. Com certeza a população vai estar bem servida e em segurança, que é importante”, destacou Rejane.
Para ela, a ocupação é parte essencial da recuperação dos espaços urbanos.
Sombra que fica
Em uma cidade como Manaus, onde caminhar sob o sol pode ser um desafio, existe outro elemento do projeto que ganha protagonismo: as árvores.













