O presidente dos EUA, Donald Trump - Foto: Mike Segar / Reuters
A chance de interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras de 2026 é grande, afirma Rubens Barbosa, ex-embaixador do Brasil.
O diplomata aponta que os EUA historicamente apoiaram candidatos contrários à esquerda em países da América do Sul e destaca o papel crescente das redes sociais e campanhas digitais no cenário eleitoral, em um cenário de invasão na Venezuela.
“A exemplo do que aconteceu com outros países, aqui da América do Sul, eu vou ficar muito surpreso se não houver uma interferência do governo americano nas eleições de outubro desse ano aqui no Brasil. Eles fizeram isso com todos os países, né? Você viu a última agora em Honduras, a maneira como eles interferiram. Viu também como eles interferiram depois da eleição do [argentino Javier] Milei, prometendo dinheiro pra ele. No Chile, em todos os lugares, eles apoiaram um candidato contrário à esquerda nesses países. Eu acho que essa receita tem grande chance de ser repetida aqui no Brasil.” afirmou Rubens Barbosa.
Em Honduras, o conservador Nasry Asfura, candidato “favorito” do presidente americano, venceu a disputa presidencial realizada em 30 de novembro.
‘Organizações não têm força para conter EUA’, avalia Barbosa
Rubens Barbosa avalia que organismos multilaterais estão enfraquecidos e não têm força para conter os EUA, que atuam de forma mais assertiva na América Latina; ele destaca que o Brasil precisa equilibrar relações com EUA e China.
“A minha visão é que a estratégia de segurança nacional americana [agora] foi colocada em prática através da Doutrina Monroe, na versão do Donald Trump. Isso é o que está vigente agora aqui na América Latina. Não adianta a gente querer interpretar isso de acordo com a legislação, de acordo com a as Nações Unidas, a defesa da soberania. Isso tudo ficou superado. Eu acho que vai haver outras iniciativas de Trump, aqui na região, fora da região. Nós estamos num mundo totalmente diferente, um mundo novo, onde não há regras, nem regras da paz e da segurança nas Nações Unidas, nem regras comerciais na OMC.” afirmou Rubens Barbosa.
“Eu sou muito cético. Acho que nós estamos vivendo um momento único na história dos últimos 100 anos. Nós nunca passamos por isso. Essas organizações todas não têm dentes, não têm força para comentar, criticar e tomar decisões contra a violação do que era o direito internacional, do que era a Carta das Nações Unidas, tudo isso acabou. A esperança nossa é que a erosão venha através da sociedade americana, porque os Estados Unidos estão tão poderosos, estão tanto na frente de todos os países, que não há condição de você impedir pela força ou pela negociação os americanos de fazerem o que eles estão querendo fazer.” disse Rubens Barbosa.
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