Juliana Peres Magalhães em depoimento - Foto: Tom Brenner / AP

A ex-babá Juliana Peres Magalhães pegou 10 anos de prisão pela morte de Joseph Ryan. A sentença foi decretada nesta sexta-feira (13), uma semana depois de Brendan Banfield ter sido considerado culpado de todas as acusações, incluindo duas de homicídio qualificado, pelas mortes de Christine Banfield e Joseph Ryan, em fevereiro de 2023.

Durante o julgamento, a promotoria argumentou que os assassinatos faziam parte de um plano maior entre Brendan e Magalhães, que mantinham um caso extraconjugal.

No dia do crime, Juliana ligou para o 911 pelo menos três vezes, desligando em duas delas antes de relatar a emergência na terceira chamada. Brendan afirmou ter atirado em um homem porque ele teria esfaqueado sua esposa, segundo depoimentos apresentados no tribunal.

Quando as autoridades chegaram à casa da família, em Herndon, no estado da Virgínia (EUA), encontraram Ryan morto a tiros e Christine com ferimentos de faca. Ela foi levada ao hospital, mas não resistiu.

Juliana Peres Magalhães, hoje com 25 anos, foi presa em outubro de 2023. Inicialmente, ela foi acusada de homicídio doloso e porte ilegal de arma de fogo e permaneceu sob custódia desde então.

Qual o envolvimento de Juliana no crime?

Juliana Peres Magalhães, de 25 anos, natural de Jacareí, no interior de São Paulo, mudou-se para os Estados Unidos, onde passou a trabalhar para a família Banfield, em Herndon, no condado de Fairfax, no estado da Virgínia. Ela começou a atuar como babá em 2021, por meio do programa au pair, intercâmbio em que jovens vivem com uma família por um ano ou mais e, em troca dos cuidados com as crianças e da realização de tarefas leves, recebem moradia, alimentação e salário mensal.

A ex-babá foi presa em outubro de 2023 e, em 29 de outubro de 2024, declarou-se culpada por homicídio culposo em acordo com a promotoria. Ela confessou ter atirado em Joseph Ryan e concordou em cooperar com a acusação no processo contra Brendan Banfield. Juliana testemunhou contra ele em janeiro de 2026, quando revelou detalhes do plano para matar a esposa do ex-patrão.

A brasileira prestou depoimento à Justiça dos Estados Unidos em 14 de janeiro de 2026. Segundo afirmou, a decisão de colaborar foi motivada pela incapacidade de continuar convivendo com “vergonha, culpa e tristeza”. As informações foram divulgadas pela emissora CBS News.

Juliana Peres Magalhães é acusa de ter matado um homem a tiros na mansão em que morava – Foto: Reprodução / ABC7 TV

Em seu testemunho, Juliana declarou que o assassinato de Christine Banfield foi planejado ao longo de vários meses, com a participação direta do então patrão, Brendan Banfield. Segundo ela, o plano surgiu em conversas entre os dois em outubro daquele ano. Brendan teria afirmado que o divórcio não era uma opção, pois implicaria dividir a custódia da filha e os bens da família.

A jovem também relatou que criou, junto com Brendan, um perfil falso em uma rede social voltada a fetiches sexuais, no qual se passava por Christine. A partir desse perfil, eles teriam atraído Joseph até a residência do casal, sob o pretexto de participar de uma suposta encenação sexual.

De acordo com o depoimento, no dia do crime, Brendan fingiu que iria trabalhar e parou em uma lanchonete a poucos minutos da casa. Juliana disse que iria ao zoológico com a filha do casal, mas permaneceu dentro do carro, aguardando a chegada de Joseph. Quando ele entrou na residência, ela também retornou e deixou a criança no porão.

Ao subir até o quarto do casal, afirmou ter encontrado Joseph e Christine. Segundo o relato, Brendan atirou contra Joseph e passou a atacar a esposa com uma faca. Juliana disse que correu para um canto do quarto e ficou sentada, com as mãos no rosto. Em seguida, ao perceber que Joseph ainda estava vivo, efetuou um disparo contra ele.

Julgamento e condenação de Brendan Banfield

Brendan, de 40 anos, era investigador criminal da Receita Federal americana (IRS, na sigla em inglês) e Christine, que morreu aos 37 anos, era enfermeira neonatal.

Em depoimento à Justiça dos Estados Unidos no dia 28 de janeiro deste ano, Brendan Banfield admitiu ter mantido um relacionamento extraconjugal com a babá brasileira. No entanto, em novo depoimento prestado no dia 30, ele afirmou que, antes do assassinato da esposa, ele e Juliana já não estavam mais juntos e negou ter planejado qualquer homicídio com ela. As declarações foram feitas durante audiência no tribunal de Fairfax, na Virgínia.

Ao ser questionado, o acusado relatou como a relação teria começado. Segundo Banfield, em uma noite em que jantavam em casa, na presença apenas da filha pequena, enquanto Christine Banfield estava fora, Juliana se sentou próxima a ele. Ainda conforme seu relato, naquela mesma noite a babá o seguiu até o quarto do casal, onde permaneceu, sem que ele demonstrasse resistência.

Banfield negou de forma enfática que, durante o período em que manteve o caso extraconjugal, tenha havido qualquer tipo de planejamento para matar a esposa. “Acho absurda essa linha de questionamento, a ideia de que houve um plano para se livrar da minha esposa”, afirmou em depoimento, segundo destacou o jornal britânico Daily Mail. “Isso é absolutamente insano”, completou.

O ex-agente federal declarou-se inocente das acusações de homicídio qualificado e porte ilegal de arma de fogo.

Juliana Peres Magalhães e Brendan Banfield – Foto: Reprodução / Redes Sociais

Brendan foi indiciado 19 meses após o crime, em setembro de 2024, segundo o Ministério Público do Condado de Fairfax, na Virgínia. Os assassinatos ocorreram em 24 de fevereiro de 2023.

No dia 2 de fevereiro deste ano, Brendan Banfield foi considerado culpado por duas acusações de homicídio qualificado, após Juliana aceitar um acordo do escritório da Procuradoria do Condado de Fairfax (cuja atuação inclui promotoria criminal) e confessar sua participação no crime.

Entre os crimes pelos quais Banfield foi condenado estão dois homicídios em primeiro grau, uso de arma de fogo na prática de crime violento e colocar uma criança em situação de risco, uma vez que a filha do casal, de quatro anos, estava dentro da residência no momento dos assassinatos.

A sentença dele será anunciada em audiência marcada para 8 de maio.

*Com informações de IG