O presidente Lula (PT) vetou integralmente o projeto de lei da dosimetria, que reduziria pena dos condenados pelos ataques do 8 de Janeiro, inclusive Jair Bolsonaro, durante o evento que marca três anos do ocorrido, no Palácio do Planalto, hoje.
O veto hoje foi integral ao projeto. Lula já tinha dito que iria vetar trechos que beneficiassem Jair Bolsonaro (PL). O presidente tem dito que considera inadmissível que haja redução da pena por meio de um “tapetão” dos aliados do ex-presidente no Congresso.
Os vetos serão analisados pelo Congresso. A oposição já disse que deverá pedir a Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), presidente do Senado, que sejam votados os vetos logo no início dos trabalhos, em fevereiro. Como Lula não tem maioria no Parlamento, os bolsonaristas dizem crer que convencerão o centrão a unir forças e derrubar o veto do petista.
A proposta reduz a pena dos envolvidos no 8 de Janeiro e também do ex-presidente. Condenado a 27 anos e três meses de prisão por liderar uma tentativa de golpe de Estado, Bolsonaro teria sua pena reduzida com a nova metodologia de cálculo e poderia deixar a prisão em cerca de dois anos.
Nas falas, o evento se tornou praticamente um ato contra a dosimetria. “Os crimes cometidos contra Estado democrático, como os praticados no 8 de Janeiro, são imprescritíveis e impassíveis de indulto, graça ou anistia”, disse o ministro Ricardo Lewandowski, da Justiça, no que deverá ser a sua última fala pública à frente da pasta.
Sem os presidentes dos outros Poderes, o ato acabou mais concentrado no governo neste ano. Diferentemente dos últimos anos, no palco só havia a alta cúpula lulista: Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), do Senado, e Hugo Motta (Republicanos-PB), da Câmara, já haviam indicado ao Planalto que seguiriam fora de Brasília na data. Nenhum ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) participou.
Oposicionistas e membros do centrão atribuem as faltas tanto ao veto quanto ao tom do evento. Em ano eleitoral, a avaliação é que Lula está “fazendo uso político” da data para reforçar suas pautas de governo, como a soberania.
Apesar das ausências, Lula elogiou o Congresso e o Supremo. Ele classificou o julgamento dos envolvidos na trama golpista como “magistral”.














