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O dólar abriu em leve alta nesta segunda-feira (11), após os Estados Unidos rejeitarem uma proposta apresentada pelo Irã para encerrar o conflito iniciado em 28 de fevereiro.

A movimentação ocorre em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio e à repercussão do cenário internacional sobre os mercados globais.

Às 9h11, a moeda norte-americana avançava 0,15%, cotada a R$ 4,9035. Mais tarde , às 10h44, o dólar à vista passou a operar em queda de 0,07%, aos R$ 4,891. Já o dólar futuro para junho, atualmente o contrato mais líquido do mercado brasileiro subia 0,23% na B3, aos R$ 4,926.

Dólar comercial

  • Compra: R$ 4,890

  • Venda: R$ 4,891

Na última sexta-feira (8), a moeda fechou abaixo de R$ 4,90 pela primeira vez em mais de dois anos. A queda foi de 0,54%, com encerramento em R$ 4,895 o menor patamar desde 15 de janeiro de 2024, quando terminou cotado a R$ 4,866.

Tensão no Oriente Médio influencia mercado

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou como “totalmente inaceitável” a resposta mais recente do Irã à proposta apresentada pelos norte-americanos para encerrar o conflito de 10 semanas entre os países.

Proposta rejeitada

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou no último domingo (10) a resposta enviada pelo Irã sobre a proposta de encerramento do conflito, que já dura cerca de dois meses. Apesar da negativa, o cessar-fogo entre os lados segue mantido até o momento.

Entre os pontos apresentados pelos iranianos estavam o fim das sanções impostas pelos EUA, a retirada do bloqueio naval norte-americano e garantias de segurança no Estreito de Ormuz, além de compensações pelos danos causados pela guerra.

Em publicação nas redes sociais, Trump classificou a proposta como “TOTALMENTE INACEITÁVEL”, sem detalhar quais termos foram rejeitados.

Após a declaração, o dólar ampliou os ganhos frente às principais moedas internacionais.

Segundo o The Wall Street Journal, o Irã se dispôs a enviar parte de seu estoque de urânio altamente enriquecido para um terceiro país, mas rejeitou desmontar suas instalações nucleares. Teerã, porém, contestou a informação divulgada pelo jornal.

No domingo, o governo iraniano apresentou uma proposta para encerrar os confrontos em diferentes frentes, incluindo no Líbano, onde Israel enfrenta militantes do Hezbollah. Entre os pedidos iranianos estão compensações por danos de guerra, o fim do bloqueio naval dos EUA e garantias contra novos ataques.

Sem detalhar os motivos, Trump voltou a rejeitar o plano, mantendo o impasse no Oriente Médio.

Diante desse cenário, o d ólar registrava alta frente a moedas fortes como euro, libra esterlina e iene. A divisa também avançava sobre moedas emergentes, como a rupia indiana e a lira turca. Em relação ao real, no entanto, operava próxima da estabilidade.

Focus eleva inflação e juros para 2027

No Brasil, o mercado financeiro voltou a elevar as projeções para a inflação e passou a prever juros mais altos em 2027. Segundo o boletim Focus divulgado pelo Banco Central, a estimativa para o IPCA deste ano subiu de 4,89% para 4,91%, marcando a nona alta consecutiva nas previsões.

A mediana das projeções para o dólar no fim de 2026 caiu de R$ 5,25 para R$ 5,20. Há um mês , a previsão era de R$ 5,37.

Já a projeção para a Selic ao fim de 2026 permaneceu em 13%, enquanto a expectativa para 2027 avançou de 11% para 11,25%, refletindo a avaliação de que as tensões internacionais podem manter a inflação pressionada.

O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos onde as taxas estão atualmente entre 3,50% e 3,75% segue sendo apontado como um dos fatores que atraem capital estrangeiro para o país, favorecendo a valorização do real nos últimos meses.

Bolsa encerra semana em alta

Na última sexta-feira (8), o mercado repercutiu dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos acima do esperado para abril, além de um cenário externo mais favorável aos ativos de risco, movimento que ajudou moedas emergentes como o real.

Com isso, o Ibovespa fechou o pregão em alta de 0,48%, aos 184.108 pontos, recuperando parte das perdas registradas na sessão anterior.

No acumulado de 2026, o dólar registra queda de 10,8%, enquanto o principal índice da Bolsa brasileira acumula valorização de 14,3%. Já na última semana, a moeda norte-americana recuou 1,2%, e o Ibovespa teve baixa de 1,7%.

Às 11h30 desta segunda-feira, o Banco Central realiza leilão de 50 mil contratos de swap cambial tradicional, operação usada para reduzir oscilações no mercado de câmbio e equivalente à venda de dólares no mercado futuro para a rolagem do vencimento de 1º de junho.

Mesmo com alta registrada nesta segunda-feira, o dólar segue próximo dos menores níveis dos últimos dois anos, enquanto o mercado continua acompanhando os desdobramentos no Oriente Médio e os próximos passos da política monetária no Brasil e nos Estados Unidos.

*Com informações de IG