Os presidentes do SINJOR/AM, Wilson Reis e do IDHAM, psicólogo Helden Cláudio (Foto: Francisco Cabral)
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Amazonas (SINJOR-AM) estabeleceu convênio estratégico com o Instituto de Desenvolvimento Humano e Social do Amazonas (IDHAM) para oferecer atendimento especializado e suporte psicológico à categoria.
A iniciativa surge como resposta a um quadro alarmante de adoecimento invisível na profissão. No cotidiano das redações e assessorias, sintomas como ansiedade, estresse crônico e a Síndrome de Burnout têm sido perigosamente naturalizados como “parte do ofício”.
Peso da notícia
Os desafios enfrentados pelos jornalistas amazonenses vão além da busca pelo “furo” de reportagem. Conforme o presidente e psicólogo do IDHAM, Helden Cláudio, a rotina é composta por jornadas prolongadas, acúmulo de funções e uma pressão constante por produtividade em tempo real.
“A realidade atual exige que um único profissional atue, muitas vezes simultaneamente, como repórter e editor, produtor e gestor de conteúdo, e social media. Essa sobrecarga, somada ao contato diário com conteúdos sensíveis, como violência e crises sociais, impacta diretamente o equilíbrio emocional de quem tem o dever de informar a sociedade”, aponta o psicólogo.
Cuidado como direito fundamental
Para Helden Cláudio, a saúde mental não deve ser vista como um luxo, mas como um direito essencial para garantir a dignidade do trabalhador e a própria qualidade da informação entregue à sociedade.
“Não existe comunicação saudável sem trabalhadores saudáveis”, destaca o psicólogo, reforçando que o convênio visa criar espaços de escuta e ofertar atendimento psicológico acessível aos sindicalizados.
Fortalecimento da categoria
O papel do SINJOR/AM, através desta parceria, transcende a tradicional defesa de direitos trabalhistas. A ação posiciona a saúde mental como uma pauta política e estratégica, fundamental para fortalecer a categoria e assegurar condições humanas na atuação profissional.
Com o convênio, espera-se combater a cultura da “resistência extrema”, onde pedir ajuda ainda é interpretado erroneamente como fraqueza. Os profissionais do Amazonas vão poder contar com uma rede de apoio estruturada para enfrentar os desafios da era da hiperconectividade sem comprometer a própria vida.
De acordo com o presidente do SINJOR/AM, Wilson Reis, a iniciativa busca tratar de uma problemática historicamente negligenciada no meio comunicacional. “Estamos tocando em uma ferida que, por muito tempo, foi camuflada pelo barulho das redações e pelo ritmo frenético das notícias”, afirmou o dirigente, destacando que a ansiedade e o esgotamento não podem mais ser aceitos como meros “ossos do ofício”.
Resistência e Saúde
Reis defende que o adoecimento mental não deve ser encarado como um indicador de desempenho ou dedicação extrema. Para ele, o “Burnout não é currículo e o adoecimento não pode ser medalha de produtividade”. O presidente reforçou ainda que a missão do sindicato deve extrapolar a defesa por salários, atuando também como uma rede de sustentação à vida dos jornalistas.
“Cuidar da mente é um ato de resistência e um direito fundamental dos profissionais da categoria. Informar é a nossa missão, mas estar bem para informar é uma necessidade”, pontuou.
O convênio de assistência psicológica pelo IDHAM é destinado aos jornalistas sindicalizados (as) e seus dependentes diretos. Os profissionais que desejarem utilizar o benefício devem procurar a sede do SINJOR/AM para mais informações sobre como proceder para assegurar o atendimento ou enviar comunicação à entidade pelo email:[email protected].
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