Joseph Kent - Foto: Divulgação / Governo dos EUA

O diretor do Centro de Contraterrorismo dos Estados Unidos, Joseph Kent, renunciou hoje em uma carta endereçada ao presidente Donald Trump e publicada nas redes sociais.

Kent afirmou que não concorda com a guerra contra o Irã. “Não posso, em sã consciência, apoiar a guerra em curso no Irã”, escreveu. Na carta, ele diz que tomou a decisão após muita reflexão.

O oficial é o primeiro funcionário do governo Trump a se demitir por causa da guerra com o Irã. Ele também é um dos primeiros a renunciar explicitamente, citando uma divergência política significativa, segundo o jornal The New York Times.

Ele declarou que os EUA iniciaram a guerra por pressão de Israel. Segundo o ex-diretor, o Irã não representava uma ameaça iminente ao país. “Está claro que iniciamos esta guerra devido à pressão de Israel e seu poderoso lobby americano”, acrescentou.

Joseph Kent é um dos principais oficiais antiterrorismo dos Estados Unidos e é veterano da guerra do Iraque. Na carta, o militar escreveu sobre o que considerava uma “campanha de desinformação” promovida por altos funcionários israelenses e pela mídia, que, segundo ele, semeou sentimentos pró-guerra para incentivar um conflito com o Irã.

O ex-chefe de Contraterrorismo dos Estados Unidos citou a esposa, que também era militar, morta na Síria. “Como veterano que serviu em combate 11 vezes e como marido de uma militar condecorado com a Estrela de Ouro, que perdeu a amada esposa Shannon em uma guerra fabricada por Israel, não posso apoiar o envio da próxima geração para lutar e morrer em uma guerra que não traz nenhum benefício ao povo americano nem justifica o custo de vidas americanas”, escreveu.

O oficial afirmou que apoiava os valores que Trump defendeu em suas campanhas de 2016, 2020 e 2024, e que implementou em seu primeiro mandato. “Até junho de 2025, o senhor compreendeu que as guerras no Oriente Médio eram uma armadilha que roubava dos Estados Unidos as preciosas vidas de nossos patriotas e dilapidava a riqueza e a prosperidade de nossa nação”, continuou.

Kent tem sido um conselheiro fundamental de Tulsi Gabbard, diretora de Inteligência Nacional. Ao comentar sobre renúncia, Trump disse que Joe Kent sempre foi “fraco em segurança” e que voltou a afirmar que o Irã sempre representou uma ameaça aos EUA.

Foto aérea mostra sepulturas sendo preparadas para crianças mortas em ataque a uma escola primária em Minab, no Irã – Foto: Divulgação / Centro de Imprensa Iraniano via AFP

“Oro para que vocês reflitam sobre o que estamos fazendo no Irã e para quem estamos fazendo isso. A hora de agir com ousadia é agora. Você pode reverter o curso e traçar um novo caminho para nossa nação, ou pode nos permitir deslizar ainda mais rumo ao declínio e ao caos. As cartas estão em suas mãos. Foi uma honra servir em sua administração e servir nossa grande nação.” afirmou Joseph Kent.

Número de mortos na guerra do Irã passa de 2.000

Mais de 2.000 pessoas, incluindo civis e militares, foram mortas desde o início do conflito, em 28 de fevereiro. Segundo balanço divulgado pela agência de notícias Reuters, após três semanas de confrontos, 12 países tiveram vítimas.

Além do Irã, que tem cerca de 1.300 mortes confirmadas, o Líbano, contabiliza 773 mortos. O país entrou no conflito após ataques do grupo extremista Hezbollah em apoio ao governo iraniano.

Treze militares dos EUA foram mortos. Segundo o Exército americano, seis tiveram suas mortes confirmadas após a queda de uma aeronave militar americana no Iraque, enquanto outros sete morreram em combate durante as operações contra o Irã.

*Com informações de Uol