Ex- governador de Goiás e candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, afirmou nesta terça-feira, 4, que, caso seja eleito em 2026, concederá indulto ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro. A declaração foi dada durante sabatina promovida pelo G4 e por O Antagonista.
Ao defender a medida, Caiado disse que pretende adotar uma postura semelhante à de Juscelino Kubitschek, a quem classificou como o último estadista brasileiro. “Eu estarei replicando o que Juscelino Kubitschek fez, que foi o último estadista que o Brasil teve”, declarou.
A proposta, segundo o presidenciável, faria parte de uma estratégia para reduzir a polarização política no país e colocar fim às disputas relacionadas aos atos de 8 de janeiro. Caiado afirmou que pretende buscar acordos entre diferentes grupos políticos e sociais caso chegue ao Palácio do Planalto.
“Essa pauta não vai acontecer no meu governo. Eu garanto a vocês um compromisso que eu faço: vou pacificar o Brasil”, afirmou.
Defesa a impeachment de ministros do STF
Durante a sabatina, o goiano também defendeu a possibilidade de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) serem submetidos a processos de impeachment diante de questionamentos sobre suas condutas, mecanismo que ele destacou que já encontra respaldo na Constituição.
O candidato também disse que pretende reforçar a autoridade do presidente da República na relação com os demais Poderes. A proposta, segundo ele, passa por recuperar o que considera ser o papel constitucional do presidencialismo.
“Chegando ao governo, eu saberei sentar com os demais Poderes. Eu resgatarei o presidencialismo no Brasil. Eu saberei dizer quais são as obrigações de um presidente e quais são as influências nocivas de outros poderes sobre o presidencialismo”, pontuou.
Presidenciável fala em equipe técnica e diálogo com setores
Caiado afirmou ainda que, em um eventual governo federal, pretende priorizar critérios técnicos na escolha dos ministros e evitar indicações político-partidárias. O modelo, de acordo com o candidato, seria inspirado na experiência que teve à frente do governo de Goiás.

A mesma lógica seria aplicada à relação com diferentes setores da economia. Caiado disse que não pretende estimular conflitos. “Não se governa brigando. Não se governa provocando as pessoas. Se governa sentado à mesa de negociações”, declarou.
Candidato mantém crédito subsidiado para o agro
O financiamento do agronegócio também entrou na sabatina. Questionado sobre a possibilidade de acabar com o crédito subsidiado oferecido ao setor rural, diante das diferenças em relação às condições disponíveis para empresários urbanos, Caiado respondeu de forma direta.
“Não”, respondeu Caiado ao ser questionado se teria “coragem” de encerrar o modelo.
O presidenciável argumentou que o agronegócio tem papel estratégico na economia e rejeitou a ideia de que o setor seja beneficiado de maneira indevida. Para ele, o debate não deve criar uma divisão entre segmentos produtivos.
“O que nós precisamos é de não criar essa cizânia entre segmentos. O agro garante segurança alimentar, superávit na balança comercial e responde por um terço dos empregos do país”, afirmou.
Caiado também defendeu a continuidade da equalização das taxas de juros para o setor e citou a expansão do seguro agrícola como medidas que deveriam fazer parte da discussão.
“Ninguém compete com o Brasil na agropecuária por causa de subsídio. O Brasil compete por produtividade, ciência e tecnologia”, declarou.
Caiado acusa governo Lula de ser “conivente com o narcotráfico”
Na segurança pública, o candidato direcionou críticas ao governo federal. Caiado afirmou que a União não compartilha com os Estados informações estratégicas relacionadas a investigações e movimentações financeiras suspeitas.
“O governo federal é conivente com o narcotráfico. Preste atenção nas minhas palavras. O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e a Receita Federal têm todos os dados em mãos. Nunca foi repassado aos governadores”, declarou.













