Foto: Rodrigo Oliveira / Caixa Econômica Federal

O Banco Central deve voltar a reduzir a taxa básica de juros, a Selic, em 0,25 ponto percentual, para 14,5% ao ano, na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) que acontece nesta terça e quarta-feira, segundo a expectativa predominante do mercado. O movimento ocorre apesar das preocupações com a inflação, pressionada pela alta do petróleo em meio à guerra no Oriente Médio.

Mercado faz apostas para próximo encontro do Copom. O Banco Central reúne o Copom nesta terça e quarta-feira, na terceira reunião do ano — realizada a cada 45 dias — para definir a taxa básica de juros da economia, a Selic.

Selic é a taxa de referência da economia brasileira. A partir dela, os bancos definem taxas de empréstimos e ela também serve de referência para investimentos de renda fixa, como o Tesouro Selic.

Maior parte do mercado aposta em corte mínimo, de 0,25 ponto percentual. Segundo 87% dos agentes que negociam opções de Copom — um tipo de contrato negociado na B3 —, a Selic deve cair dos atuais 14,75% ao ano para 14,5% ao ano.

“Dado o prolongamento e a complexidade dos conflitos no Oriente Médio, é razoável esperar um tom mais conservador das autoridades monetárias, com ênfase na preservação da ancoragem das expectativas. Assim, além da volatilidade intrínseca aos desdobramentos geopolíticos, a leitura do mercado sobre o balanço de riscos apresentado pelos bancos centrais deve permanecer como um dos vetores de preço.” Rafael Pastorello, gestor de carteiras do Banco Sofisa

Minoria se divide entre manutenção e corte mais forte. Para 10,5% dos agentes, a Selic será mantida no patamar atual. Apenas, 2,5% enxergam algum espaço para um corte mais intenso, de 0,5 ponto percentual, para 14,25% ao ano.

Na reunião anterior, o Copom cortou a Selic de 15% para 14,75% ao ano. Foi a primeira redução em quase dois anos. Ao justificar a decisão, o Banco Central afirmou que tanto a inflação corrente quanto as expectativas de inflação estavam recuando em direção à meta.

O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), principal índice de preços da economia brasileira, desacelerou. O indicador caiu para 4,1% ao ano, após atingir 5,53%, acima da meta de 3%, que tem intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

Gabriel Galípolo – Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil

Guerra no Oriente Médio é fonte de preocupação. Apesar de iniciar o ciclo de cortes, o Banco Central alertou, na última reunião, para a necessidade de cautela diante das incertezas provocadas pelo conflito envolvendo Irã e Estados Unidos.

Petróleo subiu com a escalada do conflito. À medida que a guerra avançou e passou a atingir áreas de produção e transporte, afetando o fornecimento global da commodity, o barril do tipo Brent, referência internacional, saltou de cerca de US$ 72 para mais de US$ 100.

Inflação brasileira passou a ser pressionada pelos combustíveis. Dados do IPCA de março mostram que os combustíveis ficaram 4,47% mais caros no mês, puxados pelo diesel (13,9%), gasolina (4,59%) e etanol (0,93%).

Outros bancos centrais adotaram cautela. Nas reuniões de política monetária realizadas em março, autoridades de Estados Unidos, Inglaterra, zona do euro, Japão e China optaram por manter os juros estáveis diante da alta do petróleo e das incertezas globais.

“O Copom deve dar continuidade ao processo de ajuste da política monetária de forma gradual. O nível atual de juros reflete o forte aperto implementado nos últimos anos, que já mostra efeitos sobre a atividade econômica e garantiu à autoridade monetária uma margem de segurança para conduzir esse processo, com credibilidade. Ainda assim, o Comitê tende a adotar uma postura mais cautelosa no curto prazo. Essa abordagem considera as incertezas ligadas ao conflito no Oriente Médio e seus possíveis impactos sobre a inflação, especialmente por meio das commodities, além dos efeitos sobre as condições financeiras globais.” afirmou Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research.

*Com informações de Uol