
O deputado federal Amom Mandel (Cidadania-AM) protocolou nesta terça-feira (03) uma representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitando que o procurador-geral Paulo Gonet Branco adote providências para declarar a suspeição do ministro Dias Toffoli e, com isso, afastá-lo da relatoria do Inquérito nº 5.026, que apura suspeitas de irregularidades relacionadas à tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB) no Supremo Tribunal Federal.
No ofício (009/2026-CD/GAB760), Amom afirma que atua no dever constitucional de fiscalização e que não faz “juízo prévio de mérito”, mas pede que o caso seja examinado sob critérios técnicos e institucionais, para preservar legalidade, impessoalidade, moralidade, transparência e a confiança pública no sistema de Justiça.
O que motivou a representação
Segundo o documento, após a controvérsia chegar ao STF por alegação de conexão com autoridade com foro (o deputado João Carlos Bacelar), o caso foi distribuído por sorteio em 28 de novembro de 2025, ficando sob relatoria de Dias Toffoli. A partir daí, o ofício lista um encadeamento de fatos que, na avaliação do deputado, exige apuração institucional sobre imparcialidade e “aparência de neutralidade”. Entre os pontos citados:
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Viagem internacional em aeronave privada: o documento menciona notícia de que, logo após assumir a relatoria, o ministro viajou a Lima para a final da Libertadores em avião do empresário Luiz Pastore, na mesma aeronave em que estaria o advogado Augusto Arruda Botelho, ligado à defesa no caso do Master.
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Sigilo absoluto: em 2 de dezembro de 2025, o ministro teria determinado “sigilo absoluto” à reclamação da defesa de Daniel Vorcaro, com restrição integral de acesso aos autos e movimentações no sistema do STF.
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Centralização do caso no STF: no dia seguinte, 3 de dezembro de 2025, teria sido proferida decisão monocrática acolhendo pedido da defesa para deslocar a integralidade das investigações ao STF, mantendo a relatoria com Toffoli.
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Vínculos no entorno da defesa: o documento cita a divulgação de vínculo societário pretérito envolvendo Roberta Maria Rangel e Walfrido Warde, que teria integrado posteriormente a defesa de Daniel Vorcaro.
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Relações negociais ligadas ao resort Tayayá: o ofício menciona reportagens sobre empresas ligadas a familiares do ministro e participação/negócios envolvendo o Tayayá Resort, incluindo:
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Venda, em 2021, de metade da participação dos irmãos do ministro no resort (avaliada em R$ 6,6 milhões) a fundo cujo dono seria Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro;
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Deslocamentos do ministro ao empreendimento com apoio de segurança do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, com despesa aproximada de R$ 548,9 mil em diárias, conforme registros oficiais citados no próprio ofício.
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