
O Amazonas é o segundo estado da região Norte com maior número de atendimentos de urgência por doenças cardíacas, segundo dados da Associação Brasileira de Medicina de Emergência (Abramede). Em 2023, o estado teve 5.899 registros dessa natureza, ficando atrás somente do Pará, que registrou 10.908 casos. A região contabilizou 27.460 casos de urgência cardiovascular no total.
Os números reforçam a importância do atendimento cardiológico imediato. Em uma emergência cardíaca, cada minuto conta. No caso do infarto, o tempo entre o início dos sintomas e o atendimento médico pode determinar não apenas a sobrevivência do paciente, mas também o nível de comprometimento do coração a longo prazo.
O médico cardiologista do Hospital Santa Júlia, Antônio Neto, explica que o coração é uma musculatura potente, responsável por bombear sangue, oxigênio e nutrientes para o corpo. Esse funcionamento, segundo ele, depende diretamente das artérias coronárias, que irrigam o músculo cardíaco.
“O infarto ocorre majoritariamente por obstrução parcial ou total dessas artérias. Qualquer desequilíbrio entre a oferta de ‘combustível’, que vem das coronárias, e a demanda do músculo cardíaco causa lesão na musculatura do coração. A porção de músculo que se perde nesses casos é permanente”, explica o cardiologista.
Segundo o especialista, em casos de obstrução parcial, o paciente pode apresentar dor no peito ou sintomas mais sutis, muitas vezes ignorados. Já quando há oclusão total da artéria, a musculatura do coração começa a morrer, e é nesse contexto que ele destaca um jargão amplamente utilizado na cardiologia: tempo é músculo. Quanto maior a demora para diagnosticar e desobstruir a artéria, menor a chance de preservar o funcionamento do coração.
“Essa morte celular começa na camada mais interna e evolui até comprometer toda a parede do coração naquela região. Em alguns casos, a perda é pequena; em outros, grande parte da função cardíaca é afetada. Há situações incompatíveis com a vida se não houver intervenção rápida”, afirma.
Em nível nacional, os registros de atendimento de emergência por doenças cardíacas também são expressivos. Segundo a Abramede, a cada minuto uma pessoa dá entrada em um pronto-socorro por crise aguda relacionada a doenças do coração. Em 2023, foram 641.980 internações por causas como insuficiência cardíaca e infarto agudo do miocárdio.
Segundo o levantamento, 67% dos casos ocorreram entre pacientes com 60 anos ou mais. Apesar de mais comuns na terceira idade, as doenças cardiovasculares também atingem adultos jovens, muitas vezes expostos a fatores de risco como sedentarismo, má alimentação, estresse e tabagismo.













