Refugiados são contratados para atuar em empresas privadas no Brasil - Foto: Divulgação
Casado e pai de seis filhos – de 4, 7, 11, 14, 17 e 21 anos – A. é quem sustenta a família atualmente. Nesta semana, ele conseguiu um emprego em serviços gerais na União Química, que também contratou uma mulher e outros quatro homens em situação de refúgio por meio de uma ação com a Secretaria da Justiça e Cidadania de São Paulo.
O trajeto até Guarulhos, por sua vez, não foi fácil. Após a tomada do Talibã no Afeganistão, A. ficou viveu seis meses de “horror”, com ele classifica. Os filhos estavam privados de estudar e ele sentia que vivia sob a sombra de um perigo iminente. A solução foi buscar refúgio no país vizinho, o Irã, cujo idioma oficial também é o persa.
“Foi muito difícil conseguir um visto para sair de lá, porque o valor para entrar no Irã estava três vezes maior que o normal”, relembra.
A realidade que eles encontraram no país, no entanto, não foi melhor. Lá, os estudos e o trabalho também eram escassos. “Tivemos muitos problemas financeiros. Não tinha trabalho, não tinha dinheiro. Foi um tempo muito difícil para a família.”
Até conseguir o visto humanitário no Brasil, A. passou cerca de um ano no Irã. Para custear a vinda, ele precisou se desfazer de tudo o que havia construído no Afeganistão. A casa onde morava foi vendida pela metade do preço que valia. O carro e os móveis também foram desfeitos. E a empresa teve que encerrar as atividades.
Há um mês, a família de A. conseguiu desembarcar no Aeroporto Internacional de São Paulo-Guarulhos. Ficaram no local por dois dias. Desde o ano passado, um acampamento improvisado mantém os refugiados até o momento da acolhida pelas organizações competentes. “Depois fomos para o abrigo, onde estou há 40 dias. Estou muito feliz lá.”
Um projeto ainda estágio inicial no Pará pretende, eventualmente, reaproveitar maconha apreendida, evitando sua simples destruição. A ideia, que ainda precisa passar por diversos...