O ataque dos EUA à Venezuela, no início do mês, com a prisão de Nicolás Maduro, voltou a acender o debate sobre o aumento do investimento no Ministério da Defesa durante o governo Lula (PT).
O ministério, responsável pelas Forças Armadas, tem reclamado de investimento desde o início do mandato —e tem conseguido aumento. Para este ano, a previsão de orçamento é de R$ 142 bilhões, quase R$ 9 bilhões a mais do que os R$ 133,5 bilhões previstos em 2025.
Os ataques fortaleceram o debate internamente. A rapidez com que os Estados Unidos conseguiram capturar o ditador venezuelano, Nicolás Maduro, chamou atenção do Planalto, que já avalia reforçar os mecanismos de proteção brasileiros.
Os argumentos giram em torno de segurança e proteção nacional. Mesmo que não haja qualquer indício de que algum país tenha o mínimo interesse em invadir ou confrontar o Brasil, tem se fortalecido o argumento de que o país tem uma posição internacional estratégica quanto a recursos naturais, incluindo as cada vez mais visadas terras raras, e a Amazônia, uma das principais reservas de floresta e água do planeta.
A situação fez até os petistas mais resistentes repensarem suas posições. Os membros mais à esquerda da gestão Lula sempre foram reticentes a qualquer aumento de investimento nas Forças Armadas, preocupados com os resquícios da ditadura militar e do envolvimento de militares nas ameaças golpistas durante a gestão Jair Bolsonaro (PL).
Agora, mais aliados têm assumido o discurso de “reforço à soberania”. Um cuidado maior com a Defesa seria o ponto garantidor da soberania nacional que Lula tem pregado de forma tão veemente.
Nunca seria para tentar entrar em conflito, apontam membros das Forças Armadas. Por isso que o exemplo venezuelano se mostra tão relevante: o objetivo é sempre se mostrar menos vulnerável a qualquer ameaça externa, seja ela qual for.
O discurso serve ainda para o combate ao crime organizado. Uma Defesa mais forte, argumentam, contribui para o enfrentamento ao tráfico internacional, dado que as Forças Armadas são as responsáveis pelo patrulhamento das fronteiras, em especial nas regiões mais difíceis, como a Amazônia.














