Foto: Mansoreh Motamedi / GettyImages

Os mercados internacionais reagiram com pessimismo à vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para um quarto mandato. Os fundos que acompanham o Ibovespa caíram cerca de 18% na bolsa de Nova York e de Tóquio. O dólar futuro atingiu R$ 5,55 na bolsa de Chicago neste domingo à noite.

Lula garantiu a reeleição às 21h10, quando a apuração atingiu 98,27% das seções. Naquele momento, o presidente tinha 51,75% dos votos válidos, contra 48,25% de Flávio Bolsonaro (PL), uma vantagem de 4,25 milhões de votos que já não podia ser revertida, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A oscilação no mercado internacional antecipa uma correção esperada para o preço dos ativos brasileiros nesta segunda-feira. A expectativa dos analistas é que a bolsa devolva parte da alta que teve após o primeiro turno, quando Flávio abriu vantagem sobre Lula.

O EWZ, fundo de ações brasileiras negociado nos Estados Unidos, caía 17,75% no overnight na noite deste domingo (25). O fundo era negociado a US$ 35,03 às 22h43 de Brasília, ante US$ 42,59 no fechamento de sexta-feira.

Na Bolsa de Tóquio, o fundo que acompanha o Ibovespa recuava 14,37%, a 280 ienes, às 22h40 de Brasília. O NEXT FUNDS Ibovespa Linked ETF havia fechado a 327 ienes na sexta-feira. O fundo abriu a sessão japonesa a 299,6 ienes e ampliou as perdas nos minutos seguintes.

No câmbio, o real caía 9,97% no mercado futuro da CME, em Chicago. Com isso, o dólar atingiu o valor equivalente a R$ 5,56 no contrato com vencimento em novembro, na cotação das 22h30.

Dólar futuro chegou ao equivalente a R$ 5,51. Na Bolsa de Chicago (CME), o contrato de real com vencimento em novembro de 2026 era negociado a US$ 0,1814 por real, queda de 9,14% para a moeda brasileira. Convertido para reais por dólar, o valor equivale a R$ 5,5127, alta de 10,06% sobre o ajuste anterior, de R$ 5,0088.

Cotação não representa o dólar comercial brasileiro. Os números são do mercado futuro negociado em Chicago, onde investidores podem se posicionar antes da abertura dos negócios no Brasil. A consulta foi realizada às 21h04 de Brasília, com preços divulgados pela CME com atraso de pelo menos dez minutos.

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante ato de campanha na Avenida Paulista, São Paulo – Foto: Ricardo Stuckert

Resultado contrariou expectativas de parte do mercado. Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, afirma que a casa trabalhava com um cenário de leve favoritismo de Flávio Bolsonaro. Segundo ele, a possibilidade de mudança de governo e de uma agenda econômica mais liberal havia contribuído para a valorização dos ativos brasileiros após o primeiro turno.

“A vitória do presidente Lula não era o nosso cenário base. Trabalhávamos com um leve favoritismo de Flávio Bolsonaro, e o mercado via a possibilidade de mudança de governo e de uma agenda mais liberal.” afirmou Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research.

Analista prevê semana de forte volatilidade. Sung avalia que os investidores precisarão rever suas posições diante do resultado eleitoral, o que pode provocar oscilações na Bolsa, no dólar e nos juros futuros. Ele também vê possibilidade de pressão sobre os títulos públicos brasileiros.

“A segunda-feira pode ser bastante volátil, porque haverá uma correção de rota e de ânimo do mercado.” disse Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research.

Suno espera ajuste fiscal mais moderado no novo mandato. Segundo Sung, sinalizações de Geraldo Alckmin e do ministro Dario Durigan indicam que o governo poderá adotar medidas menos intensas de contenção de gastos do que as esperadas em uma eventual gestão de Flávio. Essa é a avaliação da casa sobre a política econômica, ainda sujeita às decisões do governo.

Crescimento pode ser maior, mas inflação preocupa. A Suno projeta expansão da economia brasileira de aproximadamente 1,3% em 2027, acima da expectativa que tinha para um cenário de vitória de Flávio. Em contrapartida, prevê inflação mais persistente e menos espaço para cortes da Selic, a taxa básica de juros.

Dólar pode permanecer próximo de R$ 5,40 em 2027. Sung avalia que a combinação de expectativas fiscais e inflação poderá manter a moeda americana pressionada no próximo ano.

“Enxergamos volatilidade no câmbio, que deve ficar em torno de R$ 5,40 de forma sustentada em 2027.” disse Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research.

Próximas decisões econômicas serão determinantes. Apesar da reação negativa inicial, Sung ressalta que o desempenho dos mercados dependerá das medidas anunciadas pelo governo. Ele lembra que o pessimismo após a eleição de Lula em 2022 foi seguido por uma melhora das expectativas com a aprovação do novo arcabouço fiscal, em 2023.

“Precisamos acompanhar como o governo vai se organizar para 2027. Esse é o ponto para o qual mais chamamos atenção.” afirmou Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research.

Lula reverteu a vantagem do primeiro turno. Na primeira votação, Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do presidente. Neste domingo, Lula assumiu a liderança da apuração às 20h26, e o Datafolha projetou sua vitória às 20h53. Com a reeleição, o petista conquistou seu quarto mandato presidencial.

*Com informações de Uol