Doação de 450 ml de sangue pode salvar até quatro vidas - Foto: Pixabay
As Testemunhas de Jeová mudaram uma de suas orientações mais conhecidas sobre tratamentos médicos. Desde esse mês de setembro, cada fiel pode decidir individualmente se aceita transfusões de glóbulos vermelhos, glóbulos brancos, plasma ou plaquetas provenientes do sangue de outra pessoa.
A proibição de receber sangue total continua. Segundo o Corpo Governante das Testemunhas de Jeová, a nova orientação transfere para a consciência de cada integrante a decisão sobre os quatro principais componentes sanguíneos, sem interferência da congregação.
A mudança também alcança a doação. Cada fiel poderá decidir se doa sangue quando a finalidade estiver claramente definida como o fornecimento de componentes ou frações para uso por outra pessoa. Não se trata, portanto, de uma liberação da transfusão de sangue total.
O que passa a ser permitido
Até agora, a escolha individual já era aceita para determinadas frações derivadas do sangue e para alguns procedimentos envolvendo o próprio sangue do paciente. A orientação divulgada neste mês amplia esse entendimento para os quatro componentes principais: hemácias, leucócitos, plasma e plaquetas.
Com a alteração, dois integrantes da religião podem tomar decisões diferentes sobre o mesmo tratamento sem que uma das escolhas seja tratada pela organização como uma regra geral para todos.
Segundo Paul Gillies, porta-voz internacional das Testemunhas de Jeová, decisões médicas envolvendo esses componentes passam a ser consideradas uma questão de consciência entre o fiel e Deus. A organização afirma que as congregações não devem interferir nessas escolhas.
O sangue doado normalmente é separado em diferentes componentes. De acordo com o Ministério da Saúde, uma bolsa pode dar origem a concentrados de hemácias e plaquetas, além de plasma, usados de maneiras distintas em tratamentos médicos.
Transfusão de sangue total continua recusada
A restrição histórica ao sangue total não foi retirada. As Testemunhas de Jeová relacionam essa posição a passagens bíblicas que determinam que os cristãos devem se abster de sangue.
A religião afirma ter mais de nove milhões de integrantes distribuídos por mais de 200 países e territórios.
No Brasil, a discussão sobre transfusões também chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF). Em setembro de 2024, a Corte decidiu por unanimidade que adultos capazes podem recusar procedimentos que envolvam transfusão por motivos religiosos. O tribunal também reconheceu o direito a tratamentos alternativos disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS).
Na ocasião, o julgamento consolidou o direito de Testemunhas de Jeová recusarem transfusões por convicção religiosa, desde que a decisão seja livre, informada e tomada por uma pessoa capaz.
A nova orientação religiosa não altera esse direito. O fiel continua podendo rejeitar qualquer um dos componentes e também o sangue total. A diferença é que receber hemácias, leucócitos, plasma ou plaquetas deixou de ser uma proibição geral e passou a depender da decisão de cada pessoa.
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