Sementes de plantas adaptadas ao clima seco ficam depositadas em camadas mais profundas do solo e florescem quando chove o bastante - Foto: Reprodução / Chile Travel / SERNATUR

Desta vez, o “sertão” não virou mar, mas acabou em um campo de flores. O Deserto do Atacama, um dos lugares mais áridos do planeta, ficou coberto de cores após chuvas abundantes provocadas pelo El Niño.

A chuva em volume excepcional despertou milhões de sementes que ficavam sob o solo onde normalmente predominam areia, pedras e certa nulidade de vegetação. Com isso, flores brancas, amarelas e roxas ocuparam grandes extensões da região, no Chile.

Conforme o Ministério da Agricultura do Chile, o fenômeno é chamado de “deserto florido” e acontece porque a água das chuvas conseguiu alcançar profundidades maiores do solo, onde sementes de plantas adaptadas ao clima seco ficam depositadas.

Assim, cerca de 200 espécies conseguem florescer durante a primavera, desde que o inverno tenha sido chuvoso o suficiente.

O Ministério da Agricultura chileno iniciou um programa de “observar sem intervinir” na região florida da Atacama. A ideia é incentivar a visitação e preservação sem causar interferência ou destruição da natureza.

Para isso, é preciso seguir rotas específicas para os carros, não pisar em flores, não levar pets, não fazer ruídos excessivos ou escutar música alta, dentre outros cuidados.

Evento já era previsto

Conforme informações do Servicio Nacional de Turismo do Chile, o evento já era projetado para setembro deste ano pela Corporación Nacional Forestal (CONAF). A previsão era de uma área de cerca de 15 mil quilômetros quadrados de campos floridos.

Ainda conforme as projeções, o fenômeno deve atingir seu auge na segunda quinzena de outubro, com maior quantidade de flores e de área coberta pela vegetação. Apesar de conhecido, o evento não acontece todo ano.

É preciso chuvas de 15 a 30 milímetros, com frequência suficiente para acumular sobre o solo. Em 2026, sob influência do El Niño, alguns pontos do Norte do Chile registraram 180mm ou mais de precipitação.

Danos causados pelas chuvas

Apesar da beleza natural do fenômenos, as fortes chuvas também tiveram impacto na população chilena. Durante julho, no auge do inverno, um temporal severo deixou quatro mortos e afetou 1,5 mil casas.

Ao todo, o número de mortos subiu para 13 e cerca de 4 mil moradias foram afetadas. Isso porque o país enfrentou dias de chuvas intensas, ventos fortes e ressaca em boa parte do território.

No dia 16 de julho, cerca de 7,3% do Chile ficou sem fornecimento de energia, conforme o Ministério da Energia.

*Com informações de IG