O Departamento de Estado norte-americano publicou hoje um vídeo sobre a Doutrina Monroe e afirmou que o “domínio” dos Estados Unidos sobre o Hemisfério Ocidental “nunca mais será questionado”.
Publicação ocorre um dia após a China pedir para participar das consultas abertas pelo Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
Vídeo de mais de 5 minutos foi publicado no X e relembra a declaração feita pelo presidente James Monroe em 1823, que defendia que as potências europeias não deveriam voltar a colonizar países das Américas.
A publicação cita momentos em que os EUA usaram a doutrina para justificar sua atuação na região, como a crise dos mísseis de Cuba, em 1962, e a política de Ronald Reagan contra grupos apoiados pela União Soviética na América Latina.
Ao falar sobre o governo de Donald Trump, o Departamento de Estado cita a Operação Resolução Absoluta, que levou à captura do então presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em janeiro deste ano. Segundo o vídeo, a operação serviu como um sinal aos países do Hemisfério Ocidental.
O vídeo afirma ainda que a nova estratégia de segurança nacional dos EUA estabelece que a “dominância americana” na região “nunca mais será questionada”.
Manifestação ocorre em meio a série de conflitos diplomáticos entre os EUA e outros países
Brasil
Os Estados Unidos revogaram o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, após o governo brasileiro não aprovar a indicação do novo embaixador americano, Daniel “Danny” Perez.
A decisão foi confirmada por um representante do Departamento de Estado. Perez, deputado estadual da Flórida e aliado do secretário de Estado, Marco Rubio, ainda aguarda o aval brasileiro para assumir o posto.
A revogação do visto é mais um episódio da crescente tensão entre os governos de Trump e Luiz Inácio Lula da Silva. Autoridades americanas acusam o governo brasileiro de censurar conservadores ou favorecer o grupo em processos judiciais. O Brasil, por sua vez, tem resistido ao que considera tentativas dos EUA de influenciar a política latino-americana em favor de governos e movimentos conservadores.
Canadá
As tensões também envolvem o Canadá. Em fevereiro, Trump ameaçou impedir a abertura de uma ponte entre os dois países e exigiu que os Estados Unidos fossem compensados pelos investimentos feitos no projeto.
“Não permitirei que esta ponte seja inaugurada até que os Estados Unidos sejam totalmente compensados por tudo o que lhes demos”, escreveu o presidente em sua rede social.
Groenlândia
Na Europa, a disputa pela Groenlândia também aumentou a tensão entre Washington e seus aliados. As ameaças de Trump de assumir o controle do território autônomo da Dinamarca, que começaram em seu primeiro mandato, em 2019, ganharam força após seu retorno à Casa Branca.
A crise provocou reações de países europeus, incluindo o envio simbólico de tropas para a região, e aumentou as tensões dentro da Otan. A disputa territorial também trouxe o risco de uma guerra comercial e colocou sob pressão a relação entre os Estados Unidos e a Europa.
O que é a Doutrina Monroe
A Doutrina Monroe é uma política histórica da diplomacia americana que define a América Latina como uma área de interesse estratégico dos Estados Unidos. Criada em 1823, durante o governo do presidente James Monroe, ela estabeleceu limites claros para a interferência de potências europeias no hemisfério ocidental.
O princípio central da Doutrina Monroe era simples. Qualquer tentativa de intervenção europeia nas Américas seria vista como uma ameaça à segurança dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, os EUA se comprometiam a não interferir nos assuntos internos de países europeus.
Ao longo de quase dois séculos, a doutrina se transformou em referência para a política externa americana na região. Ela serviu de justificativa para ações diplomáticas, militares e econômicas que buscavam consolidar a influência dos EUA nas Américas.
A estratégia define a segurança das fronteiras como “elemento principal da segurança nacional”. Ela propõe um reposicionamento das forças militares e de inteligência para enfrentar o que Washington considera ameaças urgentes na região.
O texto descreve a América Latina como um “front central” na disputa geopolítica global. Ele defende o reforço de alianças hemisféricas e alerta que os EUA não aceitarão interferências hostis de potências externas.
The Monroe Doctrine has shaped U.S. foreign policy for over two centuries. 🇺🇸
American dominance in the Western Hemisphere will never be questioned again. pic.twitter.com/hsoGS17gqV
— Department of State (@StateDept) August 11, 2026












