Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva - Foto: Ricardo Stuckert / PR

Com discurso de Lula de mais de uma hora, o PT oficializou hoje em São Paulo a candidatura do presidente à reeleição. Geraldo Alckmin, Fernando Haddad e Janja também falaram no evento.

Lula se comparou a Pelé logo no início de seu discurso. “O Pelé, que foi o grande astro do futebol do século 20, considerado o atleta do século, só disputou quatro Copas. […] O que eles não sabem é que essa Copa minha é a sétima”, afirmou em referência ao número de disputas eleitorais para presidente. O petista disse ainda que, se ganhar a eleição este ano, “serão quatro Copas”. “Não vou ter a chance de tentar o penta”, disse em discurso parcialmente improvisado.

O petista afirmou que não pode permitir a perda de poder pelo presidente da República. Em referência às emendas parlamentares e à perda de espaço do Executivo frente ao Legislativo, citou como exemplo um projeto de lei do senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) que criava uma universidade. “Tenho que vetar, porque universidade é do presidente da República. Não posso permitir que o presidente vá perdendo seus direitos. O direito de indicar ministro da Suprema Corte, de indicar diretor. Ou seja, daqui a pouco, qual é o direito que tem o presidente da República?”, afirmou.

Este ano, o petista teve sua indicação ao STF barrada pelo Senado. Lula indicou o advogado-geral da União, Jorge Messias, ao cargo vago no Supremo, que foi vetado pelo plenário da Casa. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), foi apontado como articulador da rejeição.

Aceno ao voto feminino

Lula criticou a ausência de mulheres nos discursos. O petista pediu para que a primeira-dama Janja da Silva fizesse uma declaração à militância. “Nós, mulheres, vamos te eleger”, afirmou ela. As ex-ministras Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) e a deputada Benedita da Silva (PT-RJ) foram entrevistadas pela organização do ato em um momento prévio, mas Lula ainda não tinha chegado ao local.

Em outro aceno ao eleitorado feminino, o petista criticou agressores de mulheres. “O meu governo e o PT têm que ter coragem de dizer em alto e bom som: Não tem problema perder voto. O cara vai ter que escolher: Ou ele bate em mulher, ou ele vota em mim. Se bater na mulher, não precisa votar em mim”, disse o candidato à reeleição.

Vídeos também fizeram referências ao eleitorado feminino. Antes da chegada de Lula, o evento reproduziu vídeos de mulheres elogiando as políticas públicas lançadas pelo governo do petista. Os presidentes dos partidos que apoiam a candidatura de Lula gravaram discursos que foram transmitidos no início do evento.

Lula chegou de mãos dadas com Janja. De branco, eles subiram ao palco com o candidato à reeleição a vice Geraldo Alckmin (PSB), sua esposa, Lu Alckmin, Haddad e a mulher, Ana Estela.

Foto: Canal Gov / YouTube

O grupo foi recebido com o jingle intitulado “Tapete Vermelho”. Segundo o PT, a música circulou nas redes sociais até chegar à comunicação do partido. O estilo gospel e a voz feminina foram decisivos na aposta da campanha. O jingle foi composto por Aline Paula, que se apresenta nas redes sociais como Lina Luz, uma personagem criada com IA.

Ao discursar, Haddad afirmou que Jair Bolsonaro “desorganizou o país”. O pré-candidato ao governo paulista destacou a soberania, um dos temas em que a campanha aposta para a eleição, e disse que ela precisa ser preservada. “Não tem ninguém no mundo hoje que consiga fazer isso melhor do que Lula. O presidente Lula é motivo de inveja no mundo, as pessoas gostariam de ter um Lula à sua disposição.”

‘Quero evitar invasão’

Lula também defendeu investimentos para a defesa. Sem citar nominalmente a Venezuela, ele afirmou que quer estar preparado para “ninguém invadir esse país para levar o presidente, como eles invadiram”. “Quero estar preparado para a paz, não para a guerra. Quero estar preparado para ninguém se ousar se fazer de besta conosco.”.

Como um país do tamanho do Brasil não tem uma fábrica de drone, questionou. O petista ressaltou que sem o equipamento não é possível controlar as fronteiras no país. “Tem muita gente metendo o dedo nas nossas terras e isso vai parar. Isso é um patrimônio do povo brasileiro, quem tem que lucrar com isso é o povo brasileiro.”

É a primeira eleição em que ele reúne todos os partidos de esquerda ainda no primeiro turno. Diferentemente de seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL), que busca reunir a direita em torno de sua candidatura, Lula tem o apoio de, além da federação PT, PV e PCdoB, os partidos PSB, PSOL e o PDT. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro está isolado e tem tentado buscar apoio até o dia 5, quando se encerra o prazo imposto pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

O evento ocorre também em meio a desgastes e preocupações. A campanha viu, na última semana, a abertura de dois inquéritos da Polícia Federal, autorizados pelo ministro André Mendonça, contra o filho do presidente Fábio Luís, o Lulinha. A corporação quer investigar a suspeita de Lulinha de envolvimento no crime de tráfico de influência, que estaria relacionado a uma empresa ligada ao Careca do INSS.

Alckmin reedita ‘Lula com chuchu’

O candidato a vice reeditou o slogan “Lula com chuchu”, que marcou a campanha de 2022. Antigos rivais, Lula e Alckmin se uniram nas últimas eleições com o mote de uma frente ampla pela democracia para derrotar Bolsonaro. Na ocasião, a aliança foi criticada por adversários e até mesmo por aliados de ambos.

Alckmin foi classificado como o melhor ministro da Indústria e Comércio por Lula. O presidente agradeceu a seu vice pelo companheirismo e citou a trajetória do ex-governador de São Paulo.

Alckmin também criticou quem desacredita as urnas eletrônicas. “Quem não aceita o voto popular não deveria ser nem candidato a presidente”, disse o vice-presidente. Para ele, colocar o processo eleitoral em xeque “tem cheiro de derrota”. “A urna eletrônica é tão competente que não aceita voto de argentino e americano”, provocou.

*Com informações de Uol