Tubarão-duende foi registrado vivo pela primeira vez - Foto: Minderoo-University of Western Australia Deep-Sea Research Center e Inkfish

Cientistas da Universidade do Havaí conseguiram, pela primeira vez na história, filmar um tubarão-duende vivo em seu habitat natural, nas profundezas do oceano. O estudo foi publicado no Journal of Fish Biology e traz dois registros inéditos: um perto da Ilha Jarvis, no Oceano Pacífico Central, e outro na Fossa de Tonga, no Oceano Pacífico Sul.

Até agora, todos os registros e observações já feitos da espécie mostravam animais acidentalmente fisgados em linhas de pesca e puxados até a superfície, onde geralmente morriam logo depois. Dessa vez, no entanto, os dois tubarões-duende foram registrados soltos e saudáveis, nadando por conta própria a milhares de metros de profundidade.

O tubarão-duende carrega o apelido de “fóssil vivo” porque pertence a uma família com quase 125 milhões de anos, e é a única espécie desse grupo que sobreviveu até os dias de hoje. A presença confirmada do animal, até então, se restringia a poucas regiões: costa oeste dos Estados Unidos, Japão, Austrália e alguns trechos isolados nos oceanos Atlântico e Índico.

Para além do registro, uma nova descoberta chamou a atenção da equipe no achado da Fossa de Tonga: o tubarão-duende apareceu quase 700 metros abaixo de qualquer registro anterior, próximo dos 2 mil metros de profundidade. A observação rendeu um novo recorde não só para a espécie, mas também para toda a ordem de tubarões que ele integra, grupo que reúne exemplares como o tubarão-branco e o tubarão-peregrino.

Para os pesquisadores, o descobrimento reforça o quanto ainda existe para se aprender sobre o fundo do mar, mesmo com espécies já catalogadas há mais de um século. Com a nova área de distribuição confirmada, o tubarão-duende agora pode ser incluído em planos de conservação e listas de biodiversidade de regiões onde, até pouco tempo atrás, nem se sabia que ele existia.

Alan Jamieson, professor, coautor do estudo e responsável por documentar o avistamento na Fossa de Tonga, afirmou que o tubarão-duende é um dos animais mais emblemáticos das profundezas oceânicas.

“O tubarão-duende é um desses animais emblemáticos das profundezas que eu nunca pensei que veríamos vivos, então vê-lo foi incrível, mas saber que colegas no Havaí também viram um foi simplesmente inacreditável.” afirmou Alan Jamieson, professor e diretor fundador do Centro de Pesquisa em Águas Profundas Minderoo-UWA e coautor do estudo que documentou o avistamento de 2024.

*Com informações de IG