Carlo Ancelotti- Foto: Reprodução / @rafaelribeirorio / CBF

Segundo estatísticas oficiais da Fifa, o Brasil é a equipe que mais demora para recuperar a posse de bola entre as 48 seleções que disputaram a Copa do Mundo de 2026. Em média, a equipe brasileira levou 96,34 segundos para retomar o controle da bola após perdê-la.

O número ajuda a explicar um comportamento sem a posse que também aparece em outro levantamento. De acordo com dados da Opta, considerando os jogos até as oitavas de final, o Brasil terminou apenas na 41ª colocação em pressões de alta intensidade sobre a bola entre as 48 seleções do torneio. Os comandados de Carlos Ancelotti pressionaram com alta intensidade 38% das ações com bola dos adversários, enquanto a seleção que menos pressionou foi a do Catar, com 34%.

Os indicadores apontam para uma característica da equipe brasileira: em vez de buscar recuperar a bola imediatamente após perdê-la por meio de pressão intensa — estratégia conhecida e amplamente utilizada por algumas das principais equipes do futebol mundial —, o Brasil tem adotado uma postura mais paciente, priorizando a reorganização defensiva antes de tentar retomar a posse.

A estratégia adotada por Carlo Ancelotti — ceder a posse de bola à Noruega, baixar a marcação e apostar nos contra-ataques — fez o Brasil encerrar a partida de eliminação com apenas 34% de posse. A escolha, distante do estilo histórico da Seleção Brasileira, que sempre controlou as ações do jogo, foi duramente críticada.

Entre as seleções ainda vivas na disputa pelo título, todas recuperam a bola mais rapidamente do que o Brasil.

Tempo Médio para Recuperar a Posse de Bola na Copa

  • Seleção / Tempo Médio (segundos)

  • Brasil – 96,34 s

  • França – 87,86 s

  • Noruega – 79,33 s

  • Argentina – 77,62 s

  • Espanha – 71,08 s

  • Inglaterra – 70,73 s

  • Suíça – 65,23 s

A diferença é significativa. A Suíça, por exemplo, recupera a posse em pouco mais de um minuto, enquanto o Brasil precisa, em média, de mais de um minuto e meio. Inglaterra e Espanha também apresentam tempos consideravelmente menores, refletindo uma pressão mais eficiente sobre o adversário logo após a perda da bola.

No futebol moderno, a velocidade para recuperar a posse tornou-se um dos principais indicadores de um time bem treinado. Equipes que conseguem pressionar imediatamente após perder a bola, em um momento de desconforto do adversário e recuperando a posse em zonas ofensivas, tendem a criar oportunidades de ataques antes que a defesa rival esteja organizada. Dessa forma, criando chances mais claras de gol.

Os dados da Fifa e da Opta mostram que o Brasil está na extremidade desse comportamento entre as seleções da Copa do Mundo. A equipe lidera o ranking de maior tempo para recuperar a posse e figura entre as que menos utilizam pressão de alta intensidade sobre o portador da bola, um contraste em relação às principais tendências observadas no futebol internacional.

França e Espanha disputam a primeira vaga na final da Copa do Mundo na próxima terça-feira (14), às 16h (de Brasília), no T&T Stadium, em Dallas, nos Estados Unidos. O outro semifinalista será conhecido neste sábado (11), quando serão realizados os dois últimos confrontos das quartas de final. Às 18h, Noruega e Inglaterra se enfrentam no Hard Rock Stadium, em Miami. Mais tarde, às 21h, Argentina e Suíça duelam no Arrowhead Stadium, em Kansas City, ambos nos Estados Unidos.

*Com informações de Terra