A empresa da Hungria nega participação no projeto do longa-metragem que tem ocupado a agenda de Eduardo Bolsonaro nos EUA (Foto: Lula Marques / Agência Brasil)

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro e a produtora Go Up procuraram uma empresa com operações na Hungria e na Holanda para movimentar fundos para o filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro, segundo informações publicadas hoje pela Agência Pública.

A Go Up teria preparado uma minuta de contrato com a Freeway Cam B.V, diz o site. Documentos obtidos pela Agência Pública apontam que a empresa, que atua na Hungria com o nome Freeway Entertainment, atuaria como agente de custódia (escrow agent) do projeto. Na prática, funciona como uma terceira parte que retém o dinheiro temporariamente em uma negociação e libera pagamentos conforme autorização do financiador.

A minuta de 7 de fevereiro de 2024, sem assinaturas, cita Eduardo como financiador do filme. Karina Ferreira da Gama, dona da Go Up, aparece como produtora, além da Freeway Cam B.V., que tem endereço principal em Budapeste, na Hungria. Segundo o site, os produtores buscavam uma maneira de permitir que os investidores do filme permanecessem anônimos.

O texto estabelece que Eduardo “se compromete a financiar parcialmente” o filme. Também autoriza a Go Up a dar instruções sobre os pagamentos a serem feitos para o diretor e roteirista de “Dark Horse”, Cyrus Nowrasteh.

A Go Up, diz o site, teria autorizado a Freeway a emitir pagamento a Cyrus Nowrasteh. Em outro documento obtido pela Pública, Karina instrui um agente da empresa a repassar US$ 57,5 mil ao diretor. O destinatário da ordem de pagamento seria a Stichting Freeway Custody, uma fundação registrada na Holanda que administra o dinheiro da Freeway Cam B.V.

CEO da Freeway, Martijn Meerstadt disse à Pública que a empresa não participou do projeto, embora confirme contatos. “Verifiquei internamente e fui informado que, embora tenhamos sido contatados para prover soluções de partilha de receitas e relatórios para essa produção, nós declinamos da oportunidade. Não temos envolvimento com este projeto e não há nada mais que eu possa declarar”, afirmou à Agência Pública.

Segundo a Pública, Eduardo foi procurado por WhatsApp e não respondeu. Karina Gama também não retornou.

Daniel Vorcaro teria investido R$ 61 milhões no filme via um fundo sediado nos EUA, como revelou o Intercept Brasil. A Polícia Federal investiga se valores enviados pelo ex-banqueiro para o financiamento de “Dark Horse” foram usados para bancar a vida de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Eduardo nega.

Em publicações nas redes sociais, Eduardo também negou papel de gestão e disse que não é dono do projeto. Após o Intercept revelar um contrato em que aparece como produtor executivo da obra, o ex-deputado federal afirmou que fez um aporte de US$ 50 mil apenas para garantir a contratação do diretor.

Com informações do Uol