Ferramentas auxiliam na identificação de aptidões e interesses, tornando a decisão sobre a graduação mais segura - Foto: Freepik

O diploma universitário é um dos principais motores de transformação na vida de muitos jovens, representando, em média, salários 148% maiores do que os de pessoas que concluíram apenas o ensino médio, conforme aponta o relatório Education at a Glance (EaG) 2025, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). No entanto, cerca de 30% dos estudantes desistem da faculdade já no primeiro ano, principalmente por terem escolhido um curso que não combina com seus interesses, habilidades ou expectativas.

Esses dados indicam que a escolha da graduação é um momento decisivo na vida dos adolescentes, mas muitos concluem o ensino médio sem clareza sobre suas vocações, o que aumenta o risco de escolhas inadequadas. Para enfrentar esse desafio, especialistas recomendam apoio psicológico e o uso de testes vocacionais, que ajudam os estudantes a tomar decisões mais conscientes e alinhadas ao próprio perfil.

A psicóloga e mentora Ana Cordovil explica que os testes vocacionais são ferramentas de autoconhecimento criadas para apoiar os jovens na hora de escolher uma profissão. Eles não trazem respostas prontas, mas ajudam a identificar interesses, habilidades, valores e traços de personalidade. “Os testes não ‘decidem’ a profissão de ninguém, mas funcionam como um mapa de autoconhecimento, apontando caminhos possíveis. Existem diferentes tipos de testes que avaliam aspectos como interesses, personalidade, aptidões e valores.”

Cordovil ressalta que é importante os adolescentes conhecerem seus gostos, valores e desejos, pois isso ajuda a construir um futuro profissional mais bem direcionado, mesmo sem ter certeza do que virá. Ela detalha que buscar informações sobre carreiras e profissões é uma estratégia essencial para apoiar essa escolha, que não deve se basear apenas no aspecto financeiro.

“Sem orientação, muitos jovens acabam escolhendo cursos apenas para agradar, ganhar dinheiro ou por falta de direção. Com apoio e testes vocacionais, a escolha se torna mais próxima de quem eles realmente são, o que faz toda a diferença na permanência e na satisfação profissional. A melhor decisão costuma ser aquela em que você consegue dizer: ‘Eu consigo viver bem com isso e me vejo fazendo isso por muitos anos’”, explica.

Feira Norte do Estudante

A especialista destaca que iniciativas como a Feira do Norte do Estudante (FNE) podem ser estratégias eficazes para orientar jovens antes do ingresso no ensino superior, especialmente quando bem estruturadas. Elas funcionam porque atuam em pontos-chave da escolha profissional: promovem o autoconhecimento, aproximam os estudantes da realidade das profissões, ampliam a exploração de possibilidades, reduzem a ansiedade e a insegurança e garantem acesso democrático à orientação.

Em 2026, a FNE será realizada entre os dias 23 e 25 de setembro, no Centro de Convenções do Manaus Plaza Shopping, Zona Centro-Sul, com programação gratuita das 9h às 21h. O evento oferece testes vocacionais gratuitos realizados presencialmente, além de estandes de instituições de ensino superior e técnico, onde os visitantes podem esclarecer dúvidas sobre cursos e formas de ingresso. A programação inclui também palestras, oficinas e workshops que aproximam os estudantes de profissionais do mercado. Para participar, basta seguir as orientações de inscrição no site oficial https://feiranortedoestudante.com.br/.

Apoio na trajetória acadêmica

Algumas instituições de ensino em Manaus têm desenvolvido propostas pedagógicas para apoiar os estudantes, como o acompanhamento psicológico e a aplicação de testes vocacionais, que estimulam o autoconhecimento desde cedo e auxiliam na preparação para escolhas futuras. Um exemplo é a Universidade Paulista (UNIP), que criou um teste vocacional fundamentado em metodologias científicas e apoiado pela inteligência artificial. A ferramenta é voltada tanto para alunos do ensino médio quanto para pessoas que desejam definir uma profissão, se reposicionar no mercado ou realizar uma transição de carreira. O teste está disponível gratuitamente no site https://ov.unip.br/.

Foto: Assessoria

A professora Adriana Fonseca, diretora da UNIP Manaus, destaca que o maior desafio dos jovens hoje não é apenas escolher um curso, mas compreender quem são, quais são suas habilidades e interesses e, sobretudo, como podem desenvolver isso de forma consistente na vida profissional. “O teste vocacional da Unip é oferecido a visitantes e aplicado em escolas para apoiar jovens na escolha de cursos e carreiras. Mais do que indicar caminhos, promove autoconhecimento ao identificar aptidões, interesses e habilidades, utilizando o modelo RIASEC, a teoria das inteligências múltiplas de Gardner e o apoio da inteligência artificial para tornar a análise mais personalizada”.

Segundo a diretora, após realizar o teste vocacional, o estudante passa a compreender melhor não apenas o que gosta, mas também suas facilidades, aptidões, formas de aprendizado e os ambientes profissionais que mais fazem sentido para seu perfil. “Ele deixa de decidir por impulso, ou por influência de amigos e familiares, muitas vezes motivados por questões financeiras, e passa a fazer uma escolha muito mais estratégica, alinhada aos seus objetivos pessoais e profissionais. A mudança reduz significativamente o risco de frustração e abandono futuro no ensino superior.”

Combate à evasão escolar

Adriana Fonseca aponta que os testes vocacionais podem contribuir para reduzir a evasão universitária, especialmente no primeiro ano, período em que muitos estudantes desistem por não se identificarem com o curso escolhido. “Frequentemente, o aluno ingressa com uma expectativa que, ao longo do tempo, não corresponde à realidade, gerando frustração e desmotivação. Nesse contexto, a orientação vocacional ganha relevância, pois ajuda o jovem a reconhecer suas aptidões, interesses e formas de aprendizado, tornando a escolha mais consciente e aumentando as chances de permanência e satisfação na vida acadêmica.”