Deputado expõe contraste do discurso eleitoreiro do agora ex-governador com a realidade e afirma que população da rede pública não tem o mesmo acesso que pacientes da rede privada - Foto: Assessoria

Em um discurso contundente durante audiência pública na Câmara Municipal de Manaus (CMM), o deputado federal Amom Mandel (Republicanos-AM) criticou a atuação de autoridades e gestores da saúde e afirmou que pacientes da rede pública seguem sendo tratados como invisíveis pelo poder público. Amom foi convidado pelo vereador Rodrigo Guedes (Republicanos) a prestigiar a sessão que ocorreu na tarde desta terça-feira (07/04) e reuniu familiares de pacientes, representantes da sociedade civil e autoridades locais.

Durante a fala, Amom voltou a criticar o agora ex-governador do Amazonas, Wilson Lima, por declarações sobre a qualidade da rede pública. O parlamentar confrontou a comparação feita entre hospitais públicos e privados e afirmou que o discurso não reflete a realidade enfrentada pela população.

“O palhaço do nosso agora ex-governador se pronunciou no exercício do cargo dizendo que os hospitais públicos do nosso estado têm o mesmo nível e a mesma qualidade que os melhores hospitais do nosso país da rede privada. Uma pessoa com tamanha cara de pau ocupando um alto cargo do nosso estado — mais influente que um deputado federal, que faz as leis desse país e que muda a constituição, que manda e desmanda em cada município — chegou e olhou no olho de cada um de vocês pra falar na propaganda da televisão que vocês têm a mesma oportunidade que uma pessoa que tem plano de saúde. Pelo amor de Deus. Essa pessoa não conhece a realidade da sua própria população”, declarou.

Durante a audiência, o parlamentar também cobrou explicações sobre a aplicação dos recursos destinados à saúde pública no estado. Mais de R$ 178 milhões já foram enviados pelo mandato desde 2023, sendo cerca de R$ 100 milhões diretamente para a Secretaria de Estado de Saúde.

“Nós mandamos os recursos. Eu cobrei para onde esse dinheiro estava indo e por que continuam faltando insumos básicos. Hoje recebi uma denúncia sobre falta de curativo na Maternidade Chapot Prevost. Como é que ainda tem unidade sem material básico para cuidar de um paciente? O que está acontecendo nesse estado?”, questionou.

Investimentos na saúde

Ao longo dos últimos três anos, o mandato destinou R$ 178.195.964,07 para ações e serviços de saúde no Amazonas. Em 2024, foram R$ 67.746.726,00. Em 2025, o valor foi ampliado para R$ 70.197.231,07, consolidando o maior patamar de investimentos no período. Já em 2026, o total destinado soma R$ 40.252.007,00.

Desigualdade no sistema

A audiência reuniu dezenas de familiares de crianças vítimas de negligência médica na rede pública e privada. Ao se dirigir diretamente às famílias, Amom se solidarizou com os relatos e fez um paralelo com uma experiência pessoal recente, destacando a desigualdade no acesso à saúde.

“Se isso [que aconteceu com seus filhos] acontecesse com a minha mãe, que teve a cura do câncer dela decretada ontem, eu não sei o que teria feito. Provavelmente, eu teria ido pra cima de algum médico e perdido meu réu primário. A minha mãe, no entanto, teve a oportunidade de se tratar na rede privada, coisa que poucos do nosso país têm, uma minoria tem a oportunidade de ter. Mas não podemos aceitar que casos como os que aconteceram com vocês continuem invisibilizados. Senhoras e senhores, apenas com a pressão política e com a pressão pública que nós podemos exercer juntos é que nós podemos vencer essa invisibilidade. Porque, senhoras e senhores, vocês hoje estão sim invisíveis”, enfatizou Amom.

Foto: Kelvin Dinelli

O deputado também chamou atenção para a ausência de representantes do poder público na audiência, incluindo parlamentares e membros da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM). Ele lembrou que houve grande repercussão pública, por exemplo, da morte de Benício Xavier Freitas, de 6 anos, algo que contrasta com a falta de presença institucional no debate, que inclusive contou com a presença dos pais do menino.

“Dezenas de vereadores se pronunciaram quando o Benício morreu, mas hoje não vieram aqui, não deram as caras. E não se enganem: não estão acompanhando online. Se estivessem, poderiam se manifestar pelo telão. A Secretaria de Saúde também não apareceu. Não precisava ser a secretária, mas não tinha um assessor sequer para vir aqui escutar vocês. Escutar é o mínimo”, afirmou.

Proposições

Como membro da Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados, Amom possui diversas propostas voltadas à segurança do paciente, com foco em crianças e adolescentes, atuando diretamente na prevenção de erros médicos.

Entre as propostas, o PL 6685/2025 estabelece a notificação obrigatória de erros médicos e de medicação, especialmente em casos com agravamento ou morte, criando uma base de dados nacional para controle e prevenção. Já o PL 6710/2025 determina a exigência de dupla checagem na administração de medicamentos, com o objetivo de reduzir falhas humanas em procedimentos críticos.

Na linha da responsabilização e transparência, o PL 7192/2025 obriga o consentimento informado por escrito em tratamentos de maior risco, garantindo que pais e responsáveis tenham clareza sobre os procedimentos e seus impactos. Complementando esse eixo, o PL 7190/2025 prevê auditoria externa obrigatória em unidades pediátricas, com divulgação pública de dados sobre erros, eventos adversos e indicadores de segurança, ampliando o controle social e pressionando por melhorias na qualidade do atendimento.