Fotos: Divulgação / Fiocruz Amazônia

O Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) vai realizar, entre os dias 13 e 30/04, em Manaus, uma série de atividades, dentro da programação do 2º Abril Indígena da Fiocruz. O evento pretende dar visibilidade, promover discussões e reflexões acerca do tema “Produção indígena de conhecimento em Programas de Pós-graduação em Saúde – Devolutivas para a sociedade”. A proposta tem por objetivo apresentar à comunidade indígena e não indígena a produção de intelectuais indígenas em programas de pós-graduação no campo da saúde, discutir políticas públicas de atenção à saúde de povos indígenas a partir da produção apresentada, além de incentivar e sensibilizar coletivos de estudantes indígenas residentes em Manaus a ingressarem em programas de pós-graduação, visando o fortalecimento das políticas afirmativas.

O projeto, coordenado pela pesquisadora sênior da Fiocruz Amazônia, Luiza Garnelo, vinculada ao Laboratório Situação de Saúde e Gestão do Cuidado de Populações Indígenas e outros grupos vulneráveis (SAGESPI), foi uma das 17 iniciativas contempladas pelo edital de chamada interna Abril Indígena, promovido pela Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (VPAAPS/Fiocruz), em parceria com a Secretaria de Saúde Indígena do Ministério da Saúde (Sesai/MS). A proposta foi aprovada como uma ação de mobilização social em torno do fortalecimento do protagonismo indígena no âmbito da saúde e consistirá na realização de atividades presenciais, em datas alternadas, com a participação dos estudantes da primeira turma de sanitaristas indígenas do Mestrado Acadêmico do Programa de Pós-Graduação em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA).

“A ideia é reunirmos os discentes indígenas que hoje se encontram em processo de defesa de suas dissertações de Mestrado e outros pesquisadores indígenas que apresentarão seus trabalhos e discutirão sobre os resultados”, explica Luiza Garnelo. Serão realizadas defesas de dissertações dos discentes Josileno Marubo (16/04), Neize Laura Deveza Kaixana (17/4), Gilberto Doles Marubo, Cristina Comapa Marubo (28/04) e Milene Tenazor Kokama (29/04), todos do Mestrado em Saúde Coletiva do PPGVIDA, intercalados por debates e mesas-redondas. No dia 30/04, acontecerá a defesa pública de Doutorado de Luiz Penha Piratapuia Tukano, egresso do Mestrado do PPGVIDA, cursando atualmente o Doutorado do Programa VigiFronteiras Brasil (ENSP/Fiocruz).

A sessão de abertura do Abril Indígena do ILMD/Fiocruz Amazônia será no dia 13/04, às 14h30, com a Mesa-Redonda Atuação Técnico-política de profissionais indígenas e organização Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS)”, com a participação de docentes, gestores universitários e lideranças indígenas. No dia seguinte, 14/04, às 14h, será a vez da mesa-redonda “Ações afirmativas e ensino em saúde para indígenas”, com o mesmo público-alvo, seguida por cerimônia de inauguração do Painel Comemorativo do Processo Formativo de Sanitaristas Indígenas no ILMD/Fiocruz Amazônia. “O painel será um marco histórico para a Fiocruz Amazônia, como forma de valorizarmos a iniciativa pioneira da instituição e em agradecimento ao apoio de parceiros institucionais importantes para esse processo, tais como a Fapeam e a UEA”, afirma a coordenadora.

No dia 17/04, à tarde, haverá o debate sobre o tema “Vivências indígenas no Ensino Superior (graduandos e pós-graduandos)”. A programação do encontro se encerrará com uma sessão de grafismos indígenas e oficina de artesanato indígena por artesãos convidados, no dia 29/04, às 10h, finalizando com uma degustação de petiscos indígenas, às 11h30, na mesma data.

“A escolha do tema para o Abril Indígena do ILMD/Fiocruz Amazônia não poderia ser mais acertada. Assumimos o desafio para que o Mestrado fora da sede acontecesse e conseguimos realizá-lo com sucesso, o que nos tornou a primeira unidade da Fiocruz no Brasil a ter uma turma de Mestrado, na modalidade, exclusiva para indígenas. Neste Abril Indígena, estamos criando a oportunidade de ampliar esse debate, com base nas políticas afirmativas da Fiocruz, convidando instituições de ensino, representantes de movimentos indígenas e estudantes para participar e compartilhar experiências e saberes ao longo do mês”, enfatizou a diretora da Fiocruz Amazônia, Stefanie Lopes.

Para o vice-diretor de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz Amazônia, Cláudio Peixoto, este Abril Indígena é o reconhecimento de que o lugar da produção de conhecimento indígena é, de fato, em todos os espaços de poder e saber. “Nesta iniciativa da Fiocruz Amazônia, vemos a materialização de um compromisso estratégico da nossa instituição: o fortalecimento do protagonismo indígena no campo da ciência e da saúde na Amazônia. A formação em nível de pós-graduação para estudantes indígenas não é apenas um direito; é uma necessidade urgente para a soberania e a qualidade do cuidado em saúde nos nossos territórios. O que está sendo produzido aqui não fica restrito aos muros da academia; retorna como devolutiva científica e política para as comunidades e para a sociedade brasileira”, ressaltou.

Sobre o Abril Indígena Fiocruz

A chamada interna Abril Indígena Fiocruz tem como principal objetivo estimular as unidades da instituição a divulgarem e valorizarem as iniciativas já em desenvolvimento na área de saúde indígena, ampliando as ações voltadas à valorização da cultura, da saúde e dos direitos dos povos indígenas em suas regiões de atuação. A iniciativa é financiada por meio de edital interno, com recursos do projeto “Desenvolvimento de ações para o aprimoramento do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS)”, firmado entre a Sesai e a Fiocruz.

Todas as atividades realizadas destacam a potência e a importância dos povos indígenas, a valorização do saber ancestral e o diálogo intercultural entre os saberes científicos e tradicionais em saúde. Este ano, foram contempladas 17 iniciativas de unidades sediadas na Bahia, Brasília, Ceará, Manaus, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Piauí, Rio de Janeiro e Rondônia.

A primeira edição do Abril Indígena Fiocruz foi realizada em 2025, quando apoiou 10 iniciativas que realizaram rodas de conversa, oficinas, exposições, mostras audiovisuais e apresentações culturais, abordando temas como saúde, território, racismo ambiental, plantas medicinais e cosmologias indígenas. A atividade integra as celebrações do Dia dos Povos Indígenas, comemorado anualmente em 19 de abril. Com o sucesso da primeira edição, o Abril Indígena Fiocruz passou a integrar o calendário da instituição como uma ação permanente.