Tubarão-tigre em Tigerbeach, nas Bahamas - Foto: Divepic / Getty Images / iStockphoto

Tubarões da costa das Bahamas estão sendo contaminados com drogas como cocaína, cafeína e analgésicos, segundo estudo recente publicado na revista Environmental Pollution.

Equipe analisou sangue de 85 tubarões de cinco espécies capturados ao redor da Ilha Eleuthera, nas Bahamas. Vinte e oito deles apresentaram cafeína, analgésicos anti-inflamatórios ou outras drogas no sangue, sendo que alguns testaram positivo para múltiplas drogas. A cafeína foi a mais comum, seguida por acetaminofeno e diclofenaco, princípios ativos do Tylenol e do Voltaren.

Sangue contaminado revela dano que os humanos causam a ambientes oceânicos paradisíacos. “Estamos falando de uma ilha muito remota nas Bahamas”, diz Natascha Wosnick, bióloga da Universidade Federal do Paraná, no Brasil, autora principal do estudo.

Um deles, um filhote de tubarão-limão, testou positivo para cocaína. A quantidade foi muito menor do que a encontrada anteriormente em tubarões no Brasil durante um estudo realizado em 2024 —e que também teve Natascha Wosnick como parte da equipe.

Mergulhadores são responsáveis mais prováveis pela contaminação. Além disso, correntes podem levar traços de drogas de esgoto e outras fontes até o mar “É principalmente porque as pessoas vão até lá, urinam na água e despejam esgoto na água”, afirma a brasileira.

Produtos farmacêuticos e de higiene pessoal, incluindo anti-inflamatórios não esteroides, analgésicos e substâncias psicoativas, são cada vez mais reconhecidos como contaminantes emergentes em ambientes aquáticos, entrando nos ecossistemas marinhos principalmente por meio de efluentes de esgoto, escoamento agrícola e descargas urbanas Trecho da pesquisa

Tubarões contaminados mostraram mudanças em marcadores ligados a estresse e metabolismo. “O que torna este estudo notável não é apenas a detecção de fármacos e cocaína em tubarões próximos à costa, mas as alterações associadas nos marcadores metabólicos”, diz Tracy Fanara, oceanógrafa da Universidade da Flórida em Gainesville.

Pesquisadora brasileira diz que achados são preocupantes porque as Bahamas são vistas como um ‘paraíso intocado’. A contaminação encontrada nos tubarões mostra que a poluição química pode chegar até ecossistemas remotos via esgoto humano e turismo.

Um estudo de 2024 analisou 13 tubarões-bico-fino no mar do Rio de Janeiro e encontrou cocaína em todos os animais. A pesquisa foi a primeira no mundo a analisar tubarões que vivem em mar aberto com a intenção de detectar eventuais substâncias ilícitas em seu organismo.

*Com informações de Uol