
A Polícia Civil do Amazonas (PCAM) trouxe a público novos detalhes da Operação Erga Omnes, que abalou as estruturas institucionais de Manaus nesta sexta-feira (20). O balanço parcial das investigações aponta que o “núcleo político” do Comando Vermelho funcionava como uma central de inteligência e lavagem de dinheiro, utilizando nomes de peso na administração pública para garantir a impunidade dos líderes da facção.
De acordo com o delegado Marcelo Martins do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), o grupo era liderado por Allan Kleber, que está foragido. Ele é apontado como o mentor de uma rede que movimentou R$ 70 milhões através de empresas de fachada e, surpreendentemente, igrejas evangélicas. “O uso da fé para ocultar o rastro do tráfico mostra o nível de sofisticação e falta de escrúpulos desse grupo”, declarou Martins em coletiva de imprensa no início da tarde.
Entre os alvos dos mandados de busca e apreensão e de prisão, destacam-se um servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), um policial e ex-assessores parlamentares de vereadores que foram identificados como peças fundamentais na engrenagem da facção.
A infiltração era profunda: a operação cumpriu mandados contra uma ex-chefe de gabinete municipal, um servidor do Judiciário e policiais. Segundo a PCAM, esses agentes públicos eram os responsáveis por “vazar” informações sigilosas sobre operações iminentes. “Não estamos combatendo apenas traficantes, estamos combatendo traidores do Estado que colocaram seus cargos à disposição do crime organizado”, reforçou o delegado.
Infiltração nos Três Poderes
A investigação detalha que o papel desse núcleo era garantir uma espécie de “blindagem institucional”. Enquanto o braço armado da facção se ocupa do domínio de territórios, o braço político atuava no monitoramento de processos, acesso a informações privilegiadas e na criação de empresas de fachada para movimentar milhões de reais.
Segundo declarações a pouco em coletiva de imprensa, os investigadores revelaram que o Comando Vermelho no Amazonas estruturou um núcleo capaz de transitar entre o Executivo, o Legislativo e o Judiciário. A polícia destacou que a presença de uma ex-chefe de gabinete da Prefeitura de Manaus, ex-assessores parlamentares e um servidor do Tribunal de Justiça (TJ-AM) garantia à facção um fluxo de informações privilegiadas.
“O que identificamos foi uma simbiose perigosa. Esse núcleo político não apenas lavava dinheiro, mas fornecia o ‘mapa da mina’ para a organização criminosa, antecipando decisões e garantindo que o braço financeiro permanecesse intocado”, afirmou a autoridade policial em coletiva.
O uso de igrejas e empresas de fachada
Um dos pontos mais sensíveis revelados pela PCAM foi a estratégia do líder do grupo, Allan Kleber, para ocultar o patrimônio. Segundo a polícia, o esquema movimentou cerca de R$ 70 milhões desde 2018.













