Cadela que vivia com Orelha morre após dias internada - Foto: Instagram / @brunoducatt
A cadela Pretinha, conhecida por viver na Praia Brava, em Florianópolis, morreu na noite de segunda-feira (9) após semanas de internação.
O animal não resistiu a um quadro de falência renal, agravado por complicações da dirofilariose, doença popularmente chamada de verme do coração.
A morte foi confirmada por meio de uma carta aberta divulgada pelo empresário Bruno Ducatti, que acompanhava o tratamento veterinário desde o fim de janeiro.
“É com profundo pesar e o coração despedaçado que comunico que, em 09 de fevereiro, às 20:30, em Florianópolis (SC), Pretinha faleceu em decorrência de falência renal, agravada por complicações causadas pela dirofilariose, apesar de todos os esforços médicos empregados para salvá-la”, escreveu.
Pretinha era considerada uma cadela comunitária e costumava ser vista ao lado do cão Orelha, que teve a morte causada por atos de violência.
Após o episódio, ela foi retirada das ruas e acolhida para receber cuidados médicos. Segundo Bruno , foi somente nesse momento que a real gravidade do estado de saúde veio à tona.
“Foi somente então que se revelou a gravidade real de seu estado de saúde , um quadro silencioso, avançado e cruel, como o de tantos animais invisíveis neste país”, afirmou.
De acordo com o relato, a cadela passou por internação intensiva, exames complexos e recebeu medicações de alto custo, além de acompanhamento contínuo. Ainda assim, o quadro não evoluiu de forma positiva.
“Ainda assim, a medicina encontrou seus limites. Não houve omissão, descaso ou abandono. Houve luta até o fim”, destacou.
Na carta, Bruno também relaciona a história de Pretinha e Orelha a falhas estruturais no cuidado com animais comunitários.
“Animais comunitários não são ‘sem dono’, são animais sem políticas públicas eficazes. Castração é saúde pública, prevenção e responsabilidade”, escreveu, ao defender ações permanentes de prevenção e combate ao abandono.
O texto termina com um apelo por punições mais rigorosas em casos de maus-tratos e por maior conscientização da sociedade.
“Reafirmo, de forma clara, meu desejo de justiça no caso do Orelha e em todos os episódios de maus-tratos. A punição precisa ser severa e exemplar. A impunidade alimenta a crueldade.”
Pretinha morreu longe das ruas onde viveu, mas, segundo o autor da carta, com assistência e dignidade. “Resta-me a certeza de que Pretinha não agonizou sozinha na rua.”
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