Simone Tebet - Foto: Lula Marques / Agencia Brasil

 ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB), afirmou nesta sexta-feira, 30, que deixará o governo até março para disputar as eleições. Cotada para o governo de São Paulo, ela disse que discutiu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apenas uma candidatura ao Senado e que a definição sobre qual cargo disputará deve ocorrer antes do carnaval.

Em conversa com jornalistas após participar de um evento na capital paulista, Tebet afirmou que se colocou à disposição do petista para concorrer em qualquer posição. “Coloquei na mão do presidente Lula o meu destino político”, declarou a ex-presidenciável.

“Eu me coloquei à disposição do presidente. Como havia essas discussões, ‘vai ser candidata ao Senado, vai ser candidata ao governo, vai ser candidata no Mato Grosso do Sul, vai ser candidata por São Paulo’, eu deixei claro para o presidente: eu vou deixar a minha vontade pessoal de lado, e só ele sabe qual é, para atender a um projeto político de país. Ele não me disse onde eu tenho que jogar nesse tabuleiro eleitoral. Ele apenas disse: você é importante, vou precisar de você, vou ter outras conversas e depois a gente volta a conversar. Vamos decidir ainda antes do carnaval”, disse Tebet.

A ministra participou nesta sexta-feira, em São Paulo, do lançamento do Observatório da Qualidade do Gasto Público (OQGP), do Insper, e afirmou que não entrou em detalhes com o presidente sobre se uma eventual candidatura ao Senado seria por São Paulo, como deseja o PT, ou pelo seu Estado natal, o Mato Grosso do Sul.

“Coloquei na mão do presidente Lula o meu destino político. A única coisa que ele já falou, e que eu já vim com essa certeza, é que eu não permaneço no ministério, portanto sou candidata a alguma coisa no processo de 2026”, declarou, acrescentando que deixará a pasta até o fim de março.

Tebet contou que, na conversa com o presidente, fez “exercícios e raciocínios” sobre onde poderia cumprir melhor sua missão política. Ainda assim, negou que tenha tratado de uma eventual disputa ao governo de São Paulo, como aliados paulistas vêm aventando, ou de mudança partidária. Ela confirmou, no entanto, que recebeu convite de filiação do PSB. Para disputar em São Paulo, a ministra teria de deixar o MDB, já que o partido integra a base do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Sobre o cenário paulista, Tebet afirmou que, em sua avaliação, o Estado já conta com dois nomes de peso, com condições de chegar fortes à disputa e levar a eleição ao segundo turno: o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).

Embora não confirme oficialmente, Tebet disse a aliados que pode aceitar o convite para se filiar ao PSB e disputar o governo paulista ou uma cadeira no Senado. Uma das condições, porém, seria a garantia de que o PT assegurasse os recursos necessários para sua campanha e não a abandonasse no meio do caminho.

Presidente Lula – Foto: Stephani Spindel / EPA-EFE / REX / Shutterstock / BBC News Brasil

Publicamente, Tebet negou ter feito exigências a Lula para concorrer ao governo de São Paulo. O nome da ministra tem sido incentivado por aliados paulistas de Lula e da própria ex-senadora que temem que uma nova candidatura de Haddad facilite a reeleição de Tarcísio – que, desta vez, disputará com a máquina do governo nas mãos. O próprio ministro da Fazenda resiste a entrar na disputa.

Pesquisas internas encomendadas por entusiastas da ex-senadora indicam que a ministra pode ser um “fator surpresa” na disputa, principalmente pelo ineditismo de uma mulher no comando do Estado. No entorno de Tarcísio, há a avaliação de que Tebet seria uma adversária mais difícil de enfrentar do que Haddad ou Alckmin, que já governou São Paulo quatro vezes.

No PT paulista, a ideia de Tebet ser candidata ao governo não encontra resistência, mas integrantes da direção nacional manifestam a preferência por Haddad.

Tebet diz que reforma do orçamento é ‘vital’

Durante sua fala à plateia, a ministra classificou como “vital” a reforma do orçamento brasileiro e fez críticas ao que chamou de “sequestro” do orçamento pelo Congresso Nacional.

“Vamos falar do número geral de mais de R$ 6 trilhões do orçamento; 92% são despesas obrigatórias e parte das despesas do orçamento que é livre foi confiscada, sequestrada por um Congresso Nacional cada vez mais dependente do orçamento brasileiro para objetivos muitas vezes eleitorais”, disse a emedebista.

Tebet afirmou que não é contra as emendas, “mas não emenda parlamentar que dê direito a uma única pessoa manusear R$ 60 milhões todos os anos sem nenhum planejamento”.

Ao criticar a falta de planejamento de longo prazo no Brasil, a ministra disse que recebeu autorização do presidente Lula para elaborar a estratégia do País para 2050.

“Quando se vai à China, ao mundo asiático ou mesmo à Europa, eles estão pensando como vão estar em 2050, em 2060 e, no caso da China, em 2070. O projeto é de 50 anos. Nós não conseguimos tirar do papel um planejamento de longo prazo de 25 anos no Brasil. O Brasil nunca teve e provavelmente este ano vai sair o primeiro, porque nós tivemos autorização do presidente Lula para elaborar a estratégia 2025.”

Além de Tebet, também marcou presença no evento o ex-governador do Espírito Santo Paulo Hartung, que se filiou ao PSD no ano passado e pode disputar novamente o comando do Executivo estadual.

Ao discursar, Hartung fez elogios à ministra e brincou que votou nela na eleição presidencial de 2022 e espera que “um dia” ela faça o mesmo por ele. Tebet respondeu que quer “retribuir o voto” em 2030 e sugeriu uma dobradinha entre os dois. “Mas, se for escolhida sua vice, aí vou para o campo pedir voto mesmo. Fica aí um pedido de dobradinha”, disse a ministra, em tom de brincadeira.

*Com informações de Terra