Crianças palestinas em barraca montada por organizações humanitárias em Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza - Foto: Haseeb Alwazeer / Reuters
O Unicef, fundo da ONU para a infância, informou que conseguiu entregar materiais escolares na Faixa de Gaza pela primeira vez em dois anos e meio. Anteriormente, os produtos estavam sendo bloqueados por autoridades israelenses, de acordo com a organização.
Milhares de kits, incluindo lápis, cadernos de exercícios e cubos de madeira para brincar, já entraram no território palestino, informou o Unicef.
“Nos últimos dias, conseguimos introduzir milhares de kits recreativos. Estamos planejando receber mais 2.500 kits escolares na próxima semana porque foram aprovados”, disse o porta-voz da organização, James Elder.
O Cogat, braço do Exército israelense que supervisiona o fluxo de ajuda para a Faixa de Gaza, não respondeu a pedidos de comentários.
Segundo Elder, houve um ataque sem precedentes ao sistema educacional no território palestino. As crianças, diz, lidaram com restrições à entrada de materiais de ajuda, incluindo livros escolares e lápis, o que significou que os professores tiveram de trabalhar com recursos limitados, enquanto os alunos tentavam estudar à noite em tendas sem luz.
Durante o conflito, algumas crianças ficaram sem acesso à educação e enfrentaram desafios que incluíram a busca por água, além de desnutrição generalizada.
“Foram longos dois anos para as crianças e para organizações como o Unicef tentarem realizar essa educação sem esses materiais. Parece que finalmente estamos vendo uma mudança”, afirmou Elder.
O Unicef está ampliando sua oferta de educação para apoiar metade das crianças em idade escolar, cerca de 336 mil. O ensino acontecerá principalmente em tendas, disse Elder, devido à devastação generalizada dos prédios escolares durante a guerra, que foi desencadeada pelo ataque do Hamas a Israel em outubro de 2023.
Pelo menos 97% das escolas sofreram algum tipo de dano, de acordo com a avaliação mais recente por satélite da ONU em julho.
Israel já acusou o Hamas e outros grupos militantes de se instalarem sistematicamente em áreas e estruturas civis, incluindo escolas, e de usar civis como escudos humanos.
A maior parte dos espaços de aprendizagem apoiados pelo Unicef estará nas áreas central e sul do território, regiões que foram “gravemente destruídas” nos meses finais do conflito, disse Elder. Segundo ele, continua difícil de operar no norte.
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