Tarcísio de Freitas (Republicanos) vai ouvir amanhã de Jair Bolsonaro (PL) o que evitou escutar semana passada: Flávio Bolsonaro (PL) é o nome escolhido para concorrer a presidente.
Integrantes da cúpula do PL relatam que este é o recado a ser dado. O ex-presidente vai receber Tarcísio na Papudinha, onde se encontra preso, e deixará claro que seu herdeiro político é o senador. Acrescentará que a direita deve se agrupar ao redor de Flávio para enfrentar Lula (PT).
O movimento é esperado pelo bolsonarismo raiz. A transmissão desta instrução ao governador de São Paulo era assunto entre parlamentares e dirigentes do PL durante o ato final da caminhada de Nikolas Ferreira (PL-MG) em Brasília, no domingo passado.
A mensagem deveria ter sido passada na última quinta-feira. O STF tinha autorizado, e Tarcísio era aguardado no Complexo Penitenciária da Papuda, mas cancelou a visita na terça.
Tarcísio disse ontem que não seria candidato à Presidência da República nem se Bolsonaro lhe pedisse. Ele também afirmou que o encontro com o ex-presidente na Papudinha não terá como foco a disputa eleitoral, mas um gesto de solidariedade.
Governador falou em “ficar em São Paulo”. “Na última visita que fiz a Bolsonaro, quando ele estava em prisão domiciliar, ele me perguntou: ‘Qual é a sua posição na eleição presidencial?’. Eu respondi: ‘A minha posição é ficar em São Paulo'”, afirmou.
Tarcísio chamado de traíra
A expectativa é de que a conversa de amanhã acalme a direita. No momento, Flávio enfrenta questionamentos em relação à sua pré-candidatura, e uma parte da centro-direita alimenta a esperança de uma troca por Tarcísio.
O governador também começa a enfrentar problemas. Na militância bolsonarista radical, surgem vozes rotulando Tarcísio de “traíra” por ele ter dado declarações evasivas sobre qual cargo disputará na próxima eleição.
Atitudes alimentam a desconfiança. A visita a Bolsonaro foi desmarcada pouco depois de a imprensa publicar que o governador ouviria que Flávio é o escolhido para disputar a Presidência. O gesto foi indicado como sinalização de que Tarcísio reluta em ouvir o recado porque quer o Planalto.
A desculpa do governador não convenceu. Foi alegado agenda cheia de compromissos, mas o dia marcado para estar com Bolsonaro foi gasto em despachos no gabinete.
O mal-estar foi tão grande que Tarcísio precisou voltar atrás. Ainda na quinta, o governador remarcou a visita ao ex-presidente. No dia seguinte, prometeu ajudar Flávio. A declaração ocorreu em conversa com a imprensa, algo que não é comum e demonstra que estava acuado.
Políticos do centrão enxergam a polêmica como desdobramento de uma opção. A família Bolsonaro preteriu o nome mais competitivo da direita, que era Tarcísio. A escolha se deu porque, ao escolher Flávio, o clã mantém a hegemonia da direita, evitando o surgimento de uma nova liderança.
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