Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva e Presidente da França, Emmanuel Macron, durante declaração conjunta à imprensa no Palácio do Eliseu, em Paris - Foto: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Lula (PT) conversou hoje por telefone com o presidente da França, Emmanuel Macron, sobre o Conselho de Paz proposto pelos Estados Unidos e o acordo entre Mercosul e União Europeia.

Os dois falaram por 1 hora nesta manhã. “[Ambos] defenderam, a esse respeito, o fortalecimento das Nações Unidas e coincidiram que iniciativas em matéria de paz e segurança devem estar alinhadas aos mandatos do Conselho de Segurança e aos princípios e propósitos da Carta da ONU [Organização das Nações Unidas]”, diz o Planalto, em nota.

Lula tratou diretamente o assunto com o presidente norte-americano, Donald Trump, ontem. Lula pediu que o Conselho de Paz se limite à resolução do conflito na Faixa de Gaza e que “preveja assento para a Palestina”.

O Brasil foi convidado, mas ainda não deu uma resposta. O governo brasileiro vê alguns problemas na iniciativa, incluindo “um poder excessivo” em Trump e regras muito abrangentes sobre sua implementação.

Ambos “trocaram impressões sobre a Venezuela”, segundo o Planalto. “Ao condenar o uso da força em violação ao direito internacional, concordaram a respeito da importância da paz e da estabilidade na América do Sul e no mundo”, diz a nota. Macron chegou a ser criticado internacionalmente por uma postagem celebrando a ação dos EUA.

O acordo Mercosul-UE, ao qual Macron tem resistido, também foi tema da conversa. Segundo o Planalto, Lula afirmou que “é positivo para os dois blocos e constitui uma importante contribuição para a defesa do multilateralismo e do comércio baseado em regras”.

Apesar da assinatura em encontro no Paraguai neste mês, o acordo tem sofrido percalços. Na semana passada, o Parlamento Europeu enviou-o para análise do Tribunal de Justiça da União Europeia, com objetivo verificar se está de acordo com as leis do bloco.

A França lidera a resistência. Com o setor da agricultura à frente, críticos reclamam que o acordo pode aumentar a entrada de carne bovina, açúcar e aves a preços mais baixos no mercado europeu, prejudicando produtores locais e pressionando setores agrícolas sensíveis.

O Brasil, por sua vez, quer acelerar o processo interno para pressionar europeus. O tratado precisa ser ratificado internamente por cada país-membro do Mercosul e pelo Parlamento da União Europeia, onde diplomatas do continente afirmam ter o número de votos necessários, dizem interlacutores do Itamaraty.

Conversa com Boric

Lula também conversou com o presidente do Chile, Gabriel Boric. O presidente eleito do Chile, José Antonio Kast, deverá assumir o cargo em março, em uma guinada conservadora do país latino-americano.

Lula deverá ter a primeira bilateral já nesta viagem ao Panamá. Os dois vão participar do Fórum Econômico Internacional América Latina e Caribe, que começa amanhã. O brasileiro também terá uma reunião com o presidente panamenho, José Raúl Mulino.

O governo brasileiro ainda não sabe o que esperar de Katz. Eleito com apoio da extrema direita, com a presença de cartazes do ex-ditador Augusto Pinochet durante a comemoração da vitória em Santiago, ele tem formado uma equipe de governo mais à centro direita e evitado declarações polêmicas como as do colega Javier Milei, presidente argentino, desafeto de Lula.

*Com informações de Uol