Em ocorrências de risco à vida, a conduta de quem presta o socorro inicial e solicita o suporte dos serviços de saúde pode fazer a diferença para um auxílio mais eficaz e maiores chances de sobrevivência e recuperação da vítima. Visando um atendimento mais ágil e efetivo, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), da Prefeitura de Manaus, orienta a população sobre como solicitar o serviço e prestar suporte e socorro inicial em situações de urgência e emergência.
Conforme o gerente técnico do Samu Manaus, médico emergencista Eduardo Fernandes, quem presencia uma ocorrência com risco à vida deve ter como primeira preocupação manter a calma e garantir a segurança da vítima e a sua própria. Por exemplo, sinalizando a via para desviar o tráfego do local, no caso de um acidente de trânsito.
“Quando tiver segurança, a pessoa deve abordar a vítima e entender a situação, verificando se ela está consciente, se está respirando, se há fraturas, sangramento ou deformidades. Esses são dados essenciais a serem relatados para o médico regulador do Samu”, orienta.
Eduardo assinala que as ambulâncias são recursos valiosos, porém em quantidade limitada, por isso é importante que os usuários saibam reconhecer os casos em que o apoio do serviço é imprescindível. Para isso, ele orienta considerar fatores como o tempo para atendimento e a condição da vítima ao aferir a necessidade do chamado ao Samu.
“Se a situação permite esperar horas ou dias para atendimento sem colocar a vida da pessoa em perigo, o transporte pelo Samu não é necessário. Mas, se houve trauma, perda de consciência, comprometimento grave da respiração ou da circulação, o atendimento precisa ser rápido e especializado”, aponta o gestor.
Na dúvida, a recomendação é ligar para o 192, número de emergência do Samu. Os profissionais da Central de Regulação avaliarão o caso e definirão a melhor conduta. Em algumas situações, pode ser indicado levar a vítima ao hospital por meios próprios ou buscar atendimento em uma unidade básica de saúde.
Ocorrências e condutas
Entre os atendimentos mais frequentes no Samu Manaus, de acordo com Eduardo Fernandes, estão ocorrências por causas externas, como quedas, sinistros de trânsito e agressões físicas, e ocorrências clínicas, como falta de ar, crises convulsivas e desmaios.
Conforme o médico emergencista, na maioria desses casos, após ligar para o 192, relatar a situação e seguir as orientações do atendente, o solicitante deve atuar principalmente para manter a pessoa tranquila, imóvel e segura até a chegada da equipe médica.

“O mais importante é não atrapalhar a atuação dos profissionais. Não se exaltar, não deixar outras pessoas agitadas, não filmar ou fotografar. Só isso já ajuda muito”, destaca o médico.
Eduardo alerta ainda que práticas populares tidas como primeiros socorros podem acabar agravando a situação, como tentar colocar para fora a língua de uma vítima de convulsão ou desmaio, tentar sugar o sangue de uma picada de cobra ou aplicar manteiga e outros produtos caseiros em queimaduras.
“No caso de traumatismos, como quedas e acidentes de trânsito, não se deve mexer ou tirar a vítima do lugar, nem dar a ela nada para beber ou comer”, acrescenta.
Ação necessária
Diferentemente das ocorrências já mencionadas, casos de engasgo ou parada cardiorrespiratória vão exigir do acompanhante uma conduta ativa e imediata para assegurar a sobrevivência da vítima, com a execução de manobras de desengasgo e reanimação cardiopulmonar, de acordo com o caso.
“Se o ajudante realizar o procedimento adequado, pode salvar a vida da pessoa. Se ele não agir, porém, é muito grande a chance de a vítima ter sequelas ou morrer, mesmo que o socorro chegue muito rápido”, assevera Eduardo.
O diretor recomenda ainda, nos casos de parada cardiorrespiratória, o uso do desfibrilador externo automático (DEA), obrigatório em espaços públicos e eventos com grande aglomeração de pessoas. O aparelho, que emite descargas elétricas para fazer o coração voltar ao ritmo normal, funciona de forma automática, detectando o ritmo cardíaco da vítima e indicando ao socorrista quando é preciso aplicar a descarga.
“Ele é similar ao equipamento usado pelos profissionais de saúde, mas é desenhado para uso por leigos. Com isso, podemos ganhar 5 ou 10 minutos que são imprescindíveis para elevar as chances de sobrevida e recuperação do paciente”.
Eduardo enfatiza a importância da população conhecer as noções e procedimentos básicos de primeiros socorros, que são necessárias para a execução correta das manobras de desobstrução das vias aéreas e reanimação cardíaca, bem como para a utilização do DEA, entre outras técnicas para atendimento inicial em casos de urgência e emergência.
“Conhecer sobre primeiros socorros é um ato de cuidado, pois você pode estar em casa ou num passeio, e inesperadamente se ver numa situação em que precisa agir para salvar uma vida, seja orientando um socorro ou executando uma manobra de emergência”, afirma.














