Roberto Farias Tomaz desapareceu após fazer trilha no Pico Paraná com uma amiga - Foto: Reprodução / Instagram / @resgaterobertopicoparana
A estratégia extrema adotada por Roberto Farias Tomaz, 19, ao se perder por cinco dias no Pico Paraná, no litoral do Paraná, reviveu um velho mito da sobrevivência: usar a urina para se aquecer. A prática, contudo, não só é falha como pode agravar riscos de desidratação e hipotermia.
Roberto relatou que recorreu a diferentes improvisos para resistir ao frio intenso e à falta de água. Encontrado vivo após cinco dias desaparecido no ponto mais alto da região Sul do Brasil, ele chegou a urinar sobre o próprio corpo na tentativa de manter o calor. “Teve um momento em que urinei em mim mesmo, mas essa tática não funcionou muito”, contou em entrevista ao Balanço Geral.
O jovem havia iniciado a trilha no dia 31 de dezembro com uma amiga, Thayane. Após chegarem ao pico, decidiram descer por causa do vento forte e das baixas temperaturas. No caminho, encontraram um grupo de montanhistas e seguiram em ritmos diferentes. Roberto acabou se perdendo ao sair da trilha principal.
Urinar no corpo para aquecer é ‘mito perigoso’
A sensação térmica inicial ao usar a urina para se aquecer engana. “A urina sai quente e dá um conforto momentâneo, que dura poucos minutos. Depois disso, a umidade no corpo faz o calor se dissipar muito mais rápido”, diz o instrutor de sobrevivência Giuliano Toniolo, da Escola Mestre do Mato.
Estar molhado, seja por suor, chuva ou urina, pode aumentar drasticamente a perda de calor corporal. “Em ambiente frio e com vento, a perda de calor pode ser até 20 vezes maior. Isso eleva o risco de hipotermia”, afirma o especialista.
“Quem sobrevive após fazer isso não sobrevive por causa da urina, mas apesar dela.” afirmou Giuliano Toniolo.
O que deveria ser feito em vez disso
Em situações de sobrevivência em mata e montanha, o foco deve ser manter o corpo seco, reduzir gasto energético e buscar água da forma mais segura possível. “A prioridade é abrigo contra vento e chuva. Isolamento térmico vem antes de qualquer tentativa desesperada”, explica Giuliano.
Sobre hidratação, ele é categórico: não há solução improvisada. “Se a pessoa vai para uma trilha remota, precisa levar água suficiente e meios de tratar água. Beber urina ou se molhar com ela não é técnica de sobrevivência”, afirma. Durante o período perdido, Roberto disse que chegou a beber pequenas quantidades de água de cachoeiras, com receio da contaminação. Ainda assim, enfrentou desidratação em meio à escalada, à chuva e ao esforço físico constante.
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