Trump detalha ataque à Venezuela - Foto: Reprodução / Instagram

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, concedeu uma coletiva de imprensa para dar detalhes da ação militar norte-americana na Venezuela, neste sábado (3). Ele disse que os Estados Unidos vão continuar administrando a Venezuela, “até que seja feita uma transição adequada”.

Caracas, capital venezuelana, foi surpreendida nesta madrugada com explosões e bombardeios registrados nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira, além do litoral e na cidade costeira de Higuerote, em meio a uma ofensiva atribuída pelos Estados Unidos a alvos civis e militares no país sul-americano.

Chamou Maduro de ditador criminoso e disse que o ataque foi extraordinário.

“O poder militar feito por terra, ar e mar foi usada para um ataque que as pessoas não viam desde a Segunda Guerra Mundial”, comparou.

Disse que o casal Maduro vai enfrentar a justiça americana, sob a acusação de promover uma campanha de narcotráfico contra os Estados Unidos.

Destacou que nenhum americano foi assassinado na ação, nem equipamentos dos Estados Unidos foram perdidos. Elogiou muito as equipes militares.

“Sob minhas ordens, as Forças Armadas dos Estados Unidos conduziram uma operação militar extraordinária na capital da Venezuela, empregando um poderio militar americano esmagador, aéreo, terrestre e marítimo, para lançar um ataque espetacular”, disse Trump.

Segundo ele, os Estados Unidos estão preparados para uma segunda onda de ataque, ainda maior, se for necessário.

Maduro foi fotografado com os olhos e ouvidos tapados e usando uma algema – Foto: Reprodução / TruthSocial

“Essa foi muito bem sucedida, mas se precisar, faremos outro”.

Sobre o destino do governo na Venezuela, afirmou que os Estados Unidos continuarão no país.

“Vamos administrar o país até onde pudermos para que ele possa seguir de forma justa para o povo venezuelano. Muitos vivem nos EUA e querem voltar para casa; não podemos ter outra pessoa assumindo o país que não tenha o povo venezuelano em mente. Estamos lá agora e ficaremos até que uma transição adequada aconteça”, afirmou Trump, sem detalhar se forças militares permanecerão no país.

“Teremos pessoas designadas para isso e todos saberão sobre isso, em breve. No momento, a Venezuela é um país morto. Temos que reconstruir toda a infraestrutura do país, que está arrasada. Vamos trabalhar com o povo venezuelano”, acrescentou, respondendo pergunta da imprensa sobre o tempo de permanência no país.

Disse que sabe onde estão os aliados de Maduro e que eles também sabem que, agora, os Estados Unidos estão à frente no país.

Trump também destacou que o governo norte-americano já vinha dialogando com a vice-presidente de Maduro, Delcy Rodríguez, e que ela disse que “está disposta a fazer o que for preciso”.

Sobre a oposicionista María Corina Machado, o presidente americano afirmou que ela “não tem apoio interno nem respeito”.

Respondendo sobre China, Rússia e Irã, disse que agora os Estados Unidos vão vender imensas quantidades de petróleo para outros países.

Ditadura criminosa

Donald Trump voltou a chamar o governo do presidente Nicolás Maduro de ditadura criminosa que, segundo ele, levou muitas pessoas à morte. Mencionou o Cartel de Los Solis e disse que o presidente venezuelano será julgado nos Estados Unidos.

Lula cumprimenta o presidente da Venezuela Nicolás Maduro – Foto: Ricardo Stuckert

“Eles [Maduro e Cilia Flores] estão sendo transportado para Nova York e temos evidências de seus crimes que serão apresentados nos tribunais. Maduro enviou gangues criminosas e brutais para aterrorizar os norte-americanos”, acusou, na coletiva.

Trump enfatizou que agora não haverá mais ameaças, com a captura de Maduro.

“Vamos assegurar nossas fronteiras, parar os terroristas e barrar os cartéis. Essa operação deve servir de exemplo para qualquer pessoa que queira ameaçar os EUA”, declarou. “Maduro finalmente saiu da Venezuela e a América agora é uma nação mais segura”, completou.

Disse que foram necessários apenas 47 segundos para capturar o presidente venezuelano Nicolás Maduro.

Ainda durante uma entrevista coletiva, Trump anunciou que petroleiras norte-americanas começarão a atuar na indústria petrolífera da Venezuela, que o presidente dos EUA alegou ter sido “roubada” dos EUA pelo governo venezuelano. Ele admitiu que pretende lucrar com o petróleo venezuelano.

Ressaltou que a Venezuela será governada de forma profissional, com grandes companhias de petróleo no mundo investindo no país.

“Nossas gigantescas companhias petrolíferas dos EUA, as maiores do mundo, vão entrar, gastar bilhões de dólares, consertar a infraestrutura petrolífera que está em péssimo estado e começar a gerar lucro para o país. Nós construímos a indústria petrolífera da Venezuela com talento, empenho e habilidade americanos, e o regime socialista a roubou de nós (…). Uma enorme infraestrutura petrolífera foi tomada como se fôssemos crianças”, afirmou.

A operação

Em seguida à sua declaração, Trump passou a palavra ao Secretário de Defesa, Pete Hegseth, que começou descrevendo a operação desta manhã como “uma grande operação conjunta das forças militares e policiais, executada com perfeição”.

“Maduro teve sua chance, assim como o Irã teve a sua”, disse Hegseth.

Trump tem elevado pressão contra regime de Maduro nos últimos meses – Foto: Reprodução

Na sequência, o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos, responsável pela operação, falou que foi uma ação discreta e precisa, resultado de meses de planejamento.

“Essa missão foi planejada e audaciosas, que apenas os EUA poderiam executar, com integração de nossas forças conjuntas. Foram 150 aeronaves para interditar forças ao torno de Caracas. Todos estavam prontos a dar sua vida, no solo e no ar”, afirmou.

Reafirmou que não houve mortes e nem prejuízos dos equipamentos.

Relatou como foi a prisão de Maduro e da esposa, que, assim como disse Trump, foram encaminhados de helicóptero para um navio e depois para os Estados Unidos.

“Estou muito orgulhoso. Não há nenhuma missão difícil demais para essas equipes. Eles continuam na região, preparadas para mostrar sua força se necessário”, finalizou.

“Economizamos 50 milhões”

Na sequência, Marco Rubio, secretário de Estado, falou que Maduro tem 20 acusações, que ele não era o presidente legítimo na Venezuela e teve múltiplas oportunidades para evitar o ataque.

“Ele decidiu agir como um louco e o resultado foi o que vimos nessa madrugada. Economizamos 50 milhões de dólares”, declarou, mencionando a recompensa que os Estados Unidos haviam oferecido pela captura de Maduro.

*Com informações de IG