A COP30 será sediada no Brasil e, embora o evento ocorra em Belém, no coração da Amazônia, o impacto de suas decisões se estende por todo o território. O que for definido pelos líderes globais em novembro terá um efeito direto e profundo na vida dos paulistas, influenciando a conta de luz, o preço da comida, a qualidade do ar que respiramos e o risco de enchentes em nossas cidades. Por sua escala econômica e demográfica, nosso estado está diretamente conectado a este debate crucial para o futuro do planeta.
São Paulo tem tudo a ver com o que acontecerá na COP30 porque é o estado mais industrializado do país. Segundo o SEEG (Sistema de Estimativa de Emissões), o setor de energia é o principal emissor de gases de efeito estufa no estado. Nos afastamos do panorama nacional, onde o desmatamento e a agropecuária são as fontes de emissão predominantes. Essa característica coloca São Paulo na vanguarda da busca por soluções, com foco em eficiência energética, eletrificação, transição para energias renováveis, mobilidade limpa e economia circular.
Economicamente, as cadeias de valor globais estão exigindo cada vez mais produtos de baixo impacto, o que impulsiona a descarbonização como um fator de competitividade e atração de investimentos. Como grande parte dos setores econômicos serão afetados negativamente pelas mudanças climáticas, deveria haver um grande interesse do setor privado em conter o aquecimento global para reduzir os prejuízos significativos para os negócios e a sociedade.
Cidades que implementam políticas de redução de emissões também se beneficiam da diminuição de custos associados à saúde pública. Do ponto de vista social, a transição energética se traduz em um ar mais limpo, sistemas de transporte mais silenciosos e custos de energia mais previsíveis, elevando a qualidade de vida da população. Pouco do território do país tem hoje estratégias de adaptação climática consistentes ao novo clima, que já mudou e continuará mudando, com impactos crescentes na população.
A cidade de São Paulo, por exemplo, mesmo sendo a maior e uma das mais estruturadas da América Latina, possui um sistema de drenagem projetado com base nas chuvas da década de 1950, um padrão completamente inadequado para a intensidade e frequência atual. A eletrificação do transporte, com metas obrigatórias para renovar frotas de ônibus e veículos logísticos, deve ser prioridade. Também é essencial garantir energia limpa e barata para a indústria e acessível para a população em geral – que é a base do que chamamos de transição energética justa.
Na gestão de resíduos, é preciso capturar e aproveitar biogás e biometano, ampliar a reciclagem e incluir catadores. Para adaptação, mapas de risco, arborização e transparência nas metas são fundamentais. Será preciso reestruturar redes de drenagem, rever o planejamento urbano e investir em infraestrutura mais resiliente ao novo clima. O planeta está exigindo recursos, tecnologia e uma ação muito mais forte dos governos locais, e nessa pauta o estado de São Paulo precisa ser um forte protagonista.
É interesse da população olhar para a adaptação climática, afinal, as mudanças que nos cercam têm impacto direto no cotidiano de todos nós. Energia eficiente e geração local reduzem desperdício e estabilizam a conta de luz. Menos diesel nas ruas significa ar mais limpo e menos internações por doenças respiratórias. Ônibus elétricos oferecem mais conforto e menos ruído. A transição energética gera novos empregos, da cadeia de renováveis à reciclagem. Territórios adaptados resistem melhor a tempestades e ondas de calor cada vez mais intensas.
É por estas razões que a COP30 representa uma plataforma estratégica para o Brasil demonstrar ao mundo que o desenvolvimento econômico e a descarbonização podem coexistir. O país tem a oportunidade de se apresentar como um exemplo de transição justa, combinando proteção florestal, cadeias produtivas limpas, mobilidade sustentável, indústria competitiva, justiça social e redução das desigualdades sociais.
Para que essa narrativa seja crível, é imperativo chegar em Belém com metas sólidas, políticas públicas em plena execução e resultados alcançáveis. Devido à sua escala econômica e à sua capacidade técnica, o estado de São Paulo está em uma posição única para liderar esse movimento e ser um farol de inovação para o restante do país e para o mundo. A transição energética é sobre o ar que respiramos, a água que bebemos, o transporte que usamos e os empregos que queremos. É sobre tornar nosso planeta mais resiliente, seguro, humano e competitivo. A COP30 é a vitrine e a alavanca. Cabe a nós transformar essa oportunidade em ação — com pressa, diálogo e base científica.
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