Carla Zambelli (PL-SP) em reunião de comissão na Câmara dos Deputados; PF informou que parlamentar será extraditada ao Brasil - Foto: Vinicius Loures / Câmara dos Deputados
A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), presa em Roma após ter seu nome incluído na lista vermelha da Interpol, pode enfrentar um processo de extradição que deve se estender por até dois anos. A Embaixada do Brasil na capital italiana solicitou oficialmente a extradição da parlamentar. A informação foi confirmada ao Terra pelo advogado Fábio Paggnozzi, que representa a parlamentar.
A defesa diz que acompanha os trâmites da extradição e que espera a visita do primeiro-ministro italiano, Matteo Salvini. Os advogados sustentam a tese que Zambelli sofre perseguição política no Brasil, argumento que deve ser levado à Corte italiana durante o processo.
Condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos de prisão por falsidade ideológica e invasão do sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Zambelli passou a primeira noite detida em uma delegacia de Roma. Na sequência, as autoridades a transferiram para o presídio feminino de Rebibbia, localizado na periferia da cidade e considerado um dos maiores complexos penitenciários da Europa.
O Ministério da Justiça da Itália será o primeiro a avaliar o pedido de extradição. A pasta pode arquivar o caso ou manter a prisão provisória. Se optar pela continuidade do processo, a Corte de Apelação de Roma analisará os argumentos apresentados tanto pela Justiça italiana quanto pela defesa da deputada. A decisão ainda pode ser contestada na Corte de Cassação, a instância máxima do Judiciário italiano.
Mesmo com aval do Judiciário, o Ministério da Justiça italiano terá a palavra final. A pasta pode rejeitar a extradição por motivos políticos. O atual governo da primeira-ministra Giorgia Meloni tem afinidade ideológica com parte da base aliada de Zambelli, o que pode influenciar o desfecho do processo.
Caso a Justiça autorize a extradição, a defesa da deputada ainda poderá recorrer às instâncias administrativas, como o Tribunal Administrativo Regional e o Conselho de Estado.
Pela legislação brasileira, o plenário da Câmara dos Deputados deverá analisar um eventual processo de perda de mandato da parlamentar.
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