A quatro meses da COP30, organizações da sociedade civil, centros de pesquisa e lideranças nacionais e internacionais entregaram à diretora executiva da COP30 e secretária nacional de Mudança do Clima do Ministério, Ana Toni, uma carta com um conjunto de recomendações para ampliar o financiamento à Amazônia. Os signatários incluem The Nature Conservancy, Conservation International, Ipam Amazônia e Rainforest Trust.
Chamado à Presidência da COP30. O documento “Ampliando o Grande Financiamento para Soluções Baseadas na Natureza para Proteger a Amazônia” pede que o Brasil lidere uma mobilização global de recursos públicos, privados e filantrópicos.
“Instamos o Brasil a engajar organizações filantrópicas e investidores do setor privado para comprometer financiamento que apoie a conservação da natureza e o bioma Amazônia.” afirmou Carta endereçada à presidência da COP.
Três eixos principais norteiam as recomendações. O objetivo é atrair recursos em larga escala para conservação, restauração e desenvolvimento sustentável da floresta de acordo com três eixos principais: financiamento para a conservação, economia verde e inclusiva, e fortalecimento de capacidades e governança.
Financiamento para a conservação. O documento recomenda reforçar programas como o ARPA (Áreas Protegidas da Amazônia), Herencia Colômbia, Patrimonio del Perú e o Fundo Podáali. A meta é conservar 331 milhões de hectares, restaurar 600 mil km² e garantir repasses diretos a comunidades indígenas e locais que atuam na preservação da Amazônia.
Economia verde e inclusiva. Estimular cadeias produtivas sustentáveis e livres de desmatamento, como a Moratória da Soja e o sistema de rastreabilidade da carne bovina no Pará.
Fortalecimento de capacidades e governança. A agenda também propõe investir em tecnologias de monitoramento ambiental, qualificar a atuação de governos locais e assegurar o protagonismo dos Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais.
Propostas globais estratégicas. As organizações propõem lançar uma Declaração Global pela Amazônia, com metas financeiras vinculadas à natureza, criar o TFFF (Tropical Forest Forever Facility) para captar até US$ 125 bilhões até 2030, integrar bancos públicos, fundações e setor privado no financiamento à conservação, e garantir acesso direto aos recursos para povos indígenas e comunidades tradicionais, com respeito às suas estruturas de governança.
