
Lydiane Bruno, 30, já viveu dois grandes conflitos. Começou na Ucrânia, em 2022, em uma missão humanitária. Foi dali para a Faixa de Gaza, onde trabalhou em meio a bombardeios. Nascida em Brasília, cresceu no Maranhão, estudou psicologia e, ainda na graduação, foi para o CICV (Comitê Internacional da Cruz Vermelha). É gestora de recursos humanos em situações de guerra.
Em depoimento concedido pouco antes de deixar o território palestino, no fim de novembro, ela compara suas experiências na Ucrânia e em Gaza. Em Kiev, diz, estava distante da linha de frente. No território palestino, tudo era linha de frente. Sua casa tremia sob os bombardeios.
“Nada me preparou para as coisas de que fui testemunha”, afirma, citando a falta de água potável e de esgoto, além da comida racionada. “Guardei muitos choros. Saindo daqui, vou chorar por um mês.”
Entrei no Comitê Internacional da Cruz Vermelha em 2017, quando estudava psicologia na universidade. Aprendi inglês e espanhol e, em 2022, tive minha primeira experiência internacional: fui para a Ucrânia.
Trabalhei com recrutamento de funcionários em situações de crise. Em 2023, voltei a Kiev como vice-gerente de RH. Meu papel era voltado para dentro —no sentido de apoiar as operações e as pessoas do CICV.
Em Kiev, testemunhei ataques de mísseis e as invasões do espaço aéreo, que acionavam os alarmes, uma coisa muito constante. Às vezes escutávamos algumas explosões próximas, víamos a fumaça.
Viajei pelo país para visitar os nossos escritórios. Aí, sim, fui mais exposta ao conflito. Tive que antecipar o fim da missão na Ucrânia e comecei como gestora de RH em Gaza em abril de 2024.
Nosso principal objetivo é mitigar o sofrimento das pessoas que são vítimas de conflito armado. Vim para gerir. A gente dá suporte para que os departamentos de operação consigam fazer seu trabalho lá na ponta.
