
Uma divisão do Google em várias empresas, como foi sugerida pelo DoJ (Departamento da Justiça dos EUA), pode mudar o cenário da tecnologia. Com mais de 25 anos de existência, a empresa vem sendo alvo de ações pelo seu domínio —e uma medida drástica, sem precedentes, mudaria os rumos da big tech.
Nos EUA, pelo menos duas grandes ações pedem algum tipo de intervenção para que empresa seja menos dominante e permita a entrada de outros concorrentes.
Em uma, o juiz já considerou o Google “um monopólio ilegal” e agora estuda as consequências, sendo que a possibilidade de desmembramento da companhia é considerada. Em outra, está em disputa a regra sobre permitir outras lojas de aplicativo no Android, o que poderia baratear apps e abrir espaço para outros concorrentes.
A empresa promete recorrer nos dois processos, podendo chegar até à Suprema Corte, e alega que a concorrência está “começando” em anúncios de busca e é “ferrenha” em inteligência artificial. Também bate na tecla de que sofre pressão das empresas estrangeiras, citando a competição de IA da China —sem mencionar o país diretamente— e Rússia.
Ainda que definições surjam ao longo do caminho, as duas ações podem levar anos para terminar.
O Google hoje tem o mecanismo de busca mais usado nos EUA (com 90% do mercado), a plataforma Android (que não é a mais usada no seu país de origem, mas é líder mundial), o navegador mais usado (Chrome) e grande domínio no mercado de publicidade online.
O que está em jogo
DoJ processou o Google por considerar que empresa tinha monopólio de buscas e publicidade digital. O processo começou em 2020 e culminou em agosto com o juiz da ação considerando, de fato, a empresa um monopólio, com grande controle nessas áreas.
Alta quantia paga para manter o Google como buscador padrão foi prova de prática anticompetitiva. A companhia pagava bilhões por ano em acordos de exclusividade para ser o buscador padrão em iPhones (líder de mercado nos EUA), celulares da Samsung, além de navegadores (Firefox e Safari, da Apple). Estima-se que foram gastos US$ 26 bilhões desde 2021.
